segunda-feira, 9 de abril de 2012

in...Imaginários sublimes!


[…aos olhos cansados da cidade, que algum dia puderam espraiar-se retouçando, na verdura dos matos e dos lameiros ou na aspereza violeta e cinzenta das montanhas, causa uma deliciosa sensação de repouso, o encontro de perdidas, pequeninas coisas que os fixem e prendam por instantes em meios da grandiosidade ou gracilidade dos quadros naturais.

Não têm conto sobre a fisionomia da Terra, esses sinais que desenfastiam e fazem descansar o olhar. Facilmente os encontramos nas povoações. Uma janela entre cachorros floridos, um portal brasonado, uma chaminé que a luz atravessa estranhamente recortada, uma faxa de esgrafitos, um nicho devoto, desmonotonisam a frontaria de um edifício, enchem de vida os muros caiados.

Nos campos, uma fonte, uma nora, um baldão, uma cabana de pastor, de colmo ou pedra vâ, um cruzeiro, uma capela de almas, servem para marcar no rosto fresco da paisagem esse qualquer coisa de humano que os nossos sentidos civilizados sobretudo apreciam. ]
Vergilio Correia, 1916, in João Leal, “Metamorfoses da Arte Popular”

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