segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Era assim que eu queria acordar


Abrir a janela e sentir o gelo das manhãs de "quase inverno" misturado com aromas de flores silvestres.
Abrir a porta e…entrar... numa vista destas.
Quem sabe, na reforma...!

domingo, 22 de novembro de 2009

Quando um cogumelo é mais do que um “cogumelo bonito”…


"Uma das numerosas coisas do Céu e da Terra com que os filósofos não sonharam é isto - e brandiu a mão -, somos nós, é o mundo moderno. "Não se pode prescindir de Deus, a não ser durante a juventude e a prosperidade. "Pois bem, eis que temos juventude e prosperidade até ao último dia de vida. Que resulta daí? É manifesto que não podemos ser independentes de Deus. «O sentimento religioso compensará todas as nossas perdas.» Mas não há, para nós, perdas a ser compensadas; o sentimento religioso é supérfluo. E., porque iríamos nós atrás de um sucedâneo dos desejos juvenis, quando os desejos juvenis nunca nos faltaram? De um sucedâneo de distracções, quando continuamos a gozar todas as velhas' tolices até ao fim? Que necessidade temos nós de repouso, quando o nosso corpo e o nosso espírito continuam a deleitar-se na actividade? De consolação, quando temos a soma?"
[Aldous Huxley, Admirável Mundo Novo]

Amanita muscaria ou o Amanita nem sempre é um cogumelo conhecido pelo seu nome científico ou nome comum, no entanto, a imagem, deste cogumelo, será provavelmente familiar.

Nos últimos tempos, é o cogumelo que foi adoptado como o "protótipo" em cartões de Natal, histórias infantis…etc., etc...

No entanto, é mais do que... um cogumelo "bonito"...!
(…) Dizem os relatos que pessoas sob os efeitos dos princípios activos do cogumelo escarlate mosqueado tornam-se hiperactivos, fazendo movimentos compulsivos e descoordenados, falando sem parar e com a percepção de realidade totalmente alterada.
e…em "Soma, Divine Mushroom of Immortality" Gordon Wasson acreditava que Soma (a causa do "êxtase" utilizada em cerimónias religiosas, mais de 4000 anos atrás…), mais não era do que as propriedades alucinógenas do A. muscaria.
ps. seria também esta a soma de Aldous Huxley...?!

admirável mundo novo #2


No prazer solitário da fotografia, numa galeria infinita de “figuras”, ouvem-se vozes…vêem-se personagens que saltam da “realidade” para a cabeça do “observador”, numa estranha ilusão do real.

abcdefghijklmnopqrstuvwxyz - serão só as 23 letras do alfabeto, combinadas entre si, que produzem os mais variados efeitos?

Ampliando a realidade constituo uma imagem ao alcance dos olhos e da imaginação do observador.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

…em que alguém nos diz!



[Sem nunca sabermos ao certo quem nos lê, aqui neste registo privado público, a informação, as mensagens infinitas, conformam a nossa realidade, valores, sentimentos, sentidos, modos de apreciação e de apropriação.
Um dia destes um mail, enviado por uma amiga, alvitrando que os meus tinham muito de enigmático, colocou-me perante um sem número que questões.
Numas mais prementes, noutras mais perenes, vou-me interrogando, entre outras, se este tipo de escritas não lembra um diário de um adolescente…em versão modernista digital e “neonizada”.
Têm sido páginas feitas de luz e ilusão, assumindo as amizades… num registo ausente de tom físico, a não serem muito mais do que comunicação.
Embora não tenha presente os primeiros textos, e com preguiça de consultar o histórico, também esse acto seria inútil pois sei bem que nunca aqui escrevi por solidão.]

Procura-se um amigo

Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir. Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaro, de sol, da lua, do canto, dos ventos e das canções da brisa. Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor. Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo.
Deve guardar segredo sem se sacrificar. Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados. Não é preciso que seja puro, nem que seja todo impuro, mas não deve ser vulgar. Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa. Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objetivo deve ser o de amigo. Deve sentir pena das pessoa tristes e compreender o imenso vazio dos solitários. Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer.

Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo. Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância. Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade. Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim. Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo.

Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive.
[Vinicius de Moraes]

Estou em mudanças, a mudar de opções, assim…!

abcdefghijklmnopqrstuvxwyz

abcdefghijklmnopqrstuvxwyz?

…porque passei grande parte do sábado a avaliar e a alinhavar informação.

Isto é muito complicado…
Ganho entusiasmo, interiorizo que sim, que tem que ser, mas…mas depois… vou adiando, adiando… até o dia em que a consciência (qualidade de murmúrio interior…) começa a pesar.
Por isso não, não quero adiar mais.
Ainda vou desanimar, ainda vou querer desistir, mas isso faz parte da teimosia…até lá…pelo menos, já me sinto melhor.
As primeiras linhas começam a compor-se...!

Ps1. Pensar o que me levou a esta “longa apatia”…até me faz arrepios.
Ps2.
de e para:
com todas as letras: abcdefghijklmnopqrstuvxwyz
ps3. acrescento: quão “estúpido” se pode ter sido!!!

...do contra....


há dias assim...!


segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Quando um pensamento é alterado por um corrector ortográfico


Procurando definir um estado mental com um termo que o corrector do meu pc sublinhou a vermelho, propondo-me a substituição por fedido, podido, cosido, fundido, fugido, dorido…, a repreensão em forma de bloco (cuja fonética confundindo-se facilmente com aquilo que pensávamos…) remeteu para uma outra linha de pensamento.
Isto vai parecer um cliché, mas é mesmo assim: talvez dependa de nós a vida que nos pesa em cima dos ombros. E, se a maior parte das vezes, a indiferença é a única resposta, resta-nos fechar a porta e seguir caminho.

O tempo também nos ensina a não insistir, a não nos fazermos presentes quando não somos desejados.
Saber quando parar ainda é uma grande virtude, diz-se.

Ps1. alguém segreda a letra:
A formiga no carreiro
vinha em sentido contrário
(…)
Lerpou trepou às tábuas (bis)
que flutuavam nas águas (bis)
e do cimo de uma delas
virou-se para o formigueiro
mudem de rumo (bis)
já lá vem outro carreiro
(…)

[A Formiga No Carreiro. Composição: José Afonso]

Ps2. Talvez siga o conselho da correcção orientada…apenas invertendo a ordem de apresentação, em perfeita sintonia com causa/efeito: dorido - fugido.

Hoje descobri um novo uso para a mala do carro….


Sem pretensões a books e não estando mesmo a pensar em vender imagens.

Ps. a chuva que caía “aguçou o engenho”.
Em estúdio improvisado, utilizando para tal a mala do carro, sem tripé ou kit de iluminação, de peripécia em peripécia… lá consegui uma sessão fotográfica bem produtiva.
Venha daí o inverno…já tenho q.b. para me “entreter” ou será para “desafiar”…!

sábado, 14 de novembro de 2009

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Muitas vezes me questiono….


E se no meio do deserto encontra-se semáforos, usados para o tráfego de veículos, e o mesmo tivesse, no conjunto de círculos de luzes coloridas, como cor de aviso, a de grande comprimento de onda – o vermelho.
Qual seria o meu comportamento?
Teria pois todo um problema civilizacional, de cidadania ou seria de ética…!!!

Ps. Acreditem que tal pensamento é verdadeiro. Ocorre-me sempre que me dirijo para Montesinho e numa dada localidade, confrontado com semáforos e…vá a que velocidade vá…passa sempre a vermelho!
Não, não pensem que é uma crítica velada a quem lá os colocou, pois, parto do princípio que quem os instalou é porque estava(m) ciente(s) da sua “necessidade”.

As terras estão a “ficar de …”


Sem a resposta para as perguntas, um dia de telha, levou-me a procurar o silêncio da noite.
Decidido a passeio, sem rumo, procurando desenhar um sentido para o olhar, na companhia da voz sempre “mágica” da emma shapplin, meti-me pela noite escura.
Vagueando, divagando… quando, diante da imensidão da noite, a atenção do olhar, a ordem de pensamentos, assumiu, por momentos, uma nova prioridade.
Em voz muda e em voz invisível, naquele sinal, os seus avisos, as suas perguntas, trespassaram a mente.
A sua aposição, a sua resposta, sempre demasiado parecida com a nossa, não nos poderia satisfazer.
A pergunta tem algo de “perverso”.
A “descoberta” corresponde, neste contexto, ao anúncio da “…. do rural”?

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

A memória vive num falso presente.


A memória quer completar a fotografia nunca revelada, ampliando e distorcendo o acontecimento... precisamente... porque é inventado.
A memória dá-se mal com o vazio.

...uma segunda vida das coisas


A emergência de um património é, geralmente, marcado por três etapas:
A primeira, caracterizada pela espontaneidade, resposta a um problema prático, remete para a produção do que se necessita, procurando satisfazer/assegurar a sobrevivência física.
A segunda, uma qualquer outra transformação, coloca fora do campo utilitário inicial o objecto produzido.
É na terceira, na passagem da segunda para a terceira etapa (na qual a ideia patrimonial emerge e se cristaliza), que o objecto adquire uma identidade patrimonial.

Assim, e após esta análise sumária destes processos, pode-se iluir que a descoberta do património pelos meios rurais está muito longe de corresponder a uma descoberta de algo que era ignorado. Talvez, um encarar do património e as suas representações, como uma “invenção cultural”, onde o património corresponde a “uma segunda vida das coisas”, adquirindo novos sentidos e funcionalidades.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

...Se Numa Noite de Inverno Um Viajante...


(...)
Terei eu a percepção do "telhado", do mistério que envolve a subtileza do xisto em equilíbrio?

Há inúmeras maneiras de interpretar a linguagem visual.
Em sentido amplo, tudo o que é visível tem forma.
A aparência externa de uma forma pode ser bastante complexa, pode não ser percebida de imediato, embora seja relativamente simples.
Sentimos que há um ponto no ângulo de um formato, que há uma linha marcando o contorno do objecto, que há planos envolvendo um volume e volumes ocupando o espaço.
Elementos conceptuais não são visíveis. Não existem na realidade, porém parecem estar presentes.
Assim:
- Telhado s.m. parte externa e superior de um edifício
- Depois…depois fui “roubar” ao Italo Calvino, o título, num livro em que ele magistralmente junta fragmentos de narrativas totalmente diferentes, mantendo um paralelo com a estória do “Leitor” e da “Leitora”.
- um segundo título…? Uma “ajuda” em jeito de desafio….que veio daqui [http://empequenasdoses.blogspot.com/]
(...)

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Qual vai ser o assunto? Não sei, a vida.


Embora há já muito que o soubesse, nunca é tarde para o relembrar: só no dicionário é que sucesso aparece antes de trabalho…!
Igualmente sei que esta linearidade ou verdades de la Palice… não se aplica a todos…digamos que devem andar por aí muitos dicionários ou com gralhas ou com cadernos mal intercalados….!
Embora, inclusive tenha no meu quintal trevos de 4 folhas (os 4 elementos da natureza: Ar, Fogo, Terra e Água) …nem mesmo assim a sorte me bafeja.
Assim, por estas e por outras e dado o meu dicionário ter as páginas todas e bem “ordenadas” ….só me resta um caminho: arregaçar as mangas e…começar por “acabar” esta “maldita” tese que me tem “pelos cabelos”.
Bem….ela também não é assim tão peste…eu, convínhamos, na verdade, não lhe tenho dado grande atenção… acho, e pelo que tenho ouvido, de que nestas alturas somos pródigos em arranjar desculpas (para não fazer…) e igualmente pródigos em arranjar outras tantas desculpas... por não se ter feito…!
Talvez nunca percamos nada, talvez apenas troquemos umas coisas por outras.
Talvez eu me culpabilize excessivamente, acredito que sim, a sensação de ter errado a vida sempre me surgiu desde que me conheço. Há alturas em que me sinto só, é evidente, e preferia não estar, mas... é
estúpido dizer isto, porque no fundo, sinto-me tão acompanhado!!!
…só estou a dizer banalidades. Está na hora de terminar esta conversa.

domingo, 1 de novembro de 2009

O valor documental


…para memória…!
Ps. obrigado à L. pela dica.

Tabuletas – a alma encantadora das ruas


Escritores desse grande livro colorido da cidade, eles, os pintores de tabuletas, muitos com arte e paciência de iluministas medievos - em escudos bizarros da cidade, aos poucos, foram "submergidos" pela proliferação da modernidade - néons e acrílicos.


Mas as tabuletas têm uma estranha filosofia: as tabuletas fazem pensar.
E...quanta coisa se pensa... conhecendo o "negócio" e... olhando a tabuleta…!