terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

...algumas imagens retidas na retina


NÃO BASTA abrir a janela
Para ver os campos e o rio
Não é bastante não ser cego
Para ver as árvores e as flores

Alberto Caeiro

Uma carrroça puxada por um burro, recortada na perspectiva a imagem de pastor conduzindo um horizonte pungente em sons de badalos, uma leira a ser carinhosamente tratada por mãos calejadas!
São algumas imagens retidas na retina.

Um mundo a desaparecer aos poucos perante o olhar distraído de todos.

5 comentários:

Paredes Cardoso disse...

Fica-nos a imagem cristalizada pela lente.
Penso que é próprio do ser humano salvaguardar, só depois de morto.
É a contradição com que tem que viver o património cultural.
Gostei bastante desta foto.
Saudações Alexandre.

Pequete disse...

Pois, as imagens são bonitas e bucólicas, mas a verdade é que nós não trocaríamos os nossos carros confortáveis por uma carroça... Nesse sentido, o facto de estas imagens estarem a desaparecer, pode ser um bom sinal - sinal de que a estas pessoas, foi dada a hipótese de escolher entre o burro e o tractor, entre o trabalho mais duro e o trabalho um pouco mais ligeiro. Quem tem uma horta e animais, sabe do que estou a falar...

alexandrecastro disse...

Ana
Concordo inteiramente com o seu comentário.
Não julgue que defendo que as nossas aldeias deveriam parar no tempo, assumindo contornos de “museus vivos” para deleite de nós citadinos. Ainda bem que algumas alusões da ruralidade vão sendo substituídas por “modernidades”.
A minha referência a “Um mundo a desaparecer aos poucos perante o olhar distraído de todos.” Não é uma critica à modernidade, apenas uma tristeza pela não preservação de tanta cultura imaterial que aos poucos e poucos se vai perdendo no tempo.
Lapidarmente reduzo a minha ideia a um desejo: confesso que gostaria de ter por aqui um museu de etnografia.

Pequete disse...

Não, não pensei que era "desses"! Mas sei que os há por aí, daí o comentário. Quanto ao museu, dou-lhe razão. Quando vi esta fotografia lembrei-me dos carros de bois com rodas de madeira, que fazem um som tão característico e que há uns 15-20 anos ainda se viam/ouviam com alguma frequência. Há muitos anos que não vejo um, a não ser a servir como floreira num jardim qualquer, o que, embora bonito, é um triste destino...

CCF disse...

Há formas de recrear essa cultura sem isolar e estigmatizar as pessoas nela, e os museus (vivos) são certamente uma delas.
Abraço,
~CC~