domingo, 26 de outubro de 2008

Um jogo de linguagem


Os nomes das cores caracterizam a impressão de uma superfície sobre a qual vagueia o nosso olhar.
Os conceitos de cor devem juntar-se de uma forma idêntica aos conceitos de sensações?
Que as cores têm as suas causas e efeitos característicos - é algo que sabemos.
Haverá uma “história natural das cores”, e até que ponto será ela análoga a uma história natural das plantas?
Não é esta última temporal e a outra atemporal?

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Movimento próprio das ideias...


...ou a magia da luz na definição dos espaços!

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Rascunho do Céu


Dá-nos os passos dos teus passos

de manhã triunfal de cidade à solta....

Alexandre O´Neill

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Um conto em três andamentos...!


1.º andamento

Conto imaginário:

Passou-se um dia sobre aquele fim de tarde de sensualidade, amor e paixão... mas hoje, ainda paira no ar a magia e o odor de teu delicioso e maravilhoso corpo. Sinto-me até, completamente possuído, pelo suave e luxuriante cheiro que produz em mim o louco desejo de te amar com toda a minha entrega e paixão.
Todo este odor misturado com a tua imagem deixa-me num louco estado de desejo e excitação, que a muito custo consigo refrear...
Estou neste exercício de contenção e... eis que começo a vislumbrar uma silhueta inconfundível, a aproximar-se de mim…- Mãos ao alto, Sr. Veado (diz a voz)!

2.º andamento

É entre Setembro e Novembro que ocorre a Brama do Veado.
Percorrendo os cumes isolados das Serras é possível ouvir no silêncio, a qualquer hora do dia ou da noite, o impressionante som característico da época de reprodução do veado.
Através da intensidade de longos e potentes bramidos (por este motivo esta época toma também o nome de “brama”) emitidos pelos machos de veado que assim procuram dominar as melhores áreas, as que apresentam o maior número de fêmeas, e intimidar os possíveis concorrentes (as fêmeas são fecundadas nesta altura do ano vindo as crias a nascer entre Maio e Junho do ano seguinte.).

3.º andamento

Período de caça aos veados: todos os dias de Setembro a Outubro.

Posfácio. Mas talvez a inconsistência não esteja só nas imagens ou só na linguagem: está no mundo.

O que vale um olhar?


Sinto que há um instante que se fixa, que fica retido na memória ou no olhar, resigna-se a aceitar a evolução dos tempos, restando-lhe apenas encenar no cenário actual.

O quadro está totalmente preenchido pelo calor de pequenas formas de felicidade, ora etéreas, ora vulgares!
…e ao longe ouvia-se o som de uma gaita - de - foles, subitamente, sem que fosse combinado ou pedido, sem aviso nem razão.


Encanto, sedução e paixão!

Espaços vazios se fazem sempre presentes, espaços propícios a reflexões em caminhos misteriosos que nos conduzem ao imaginário.


Eu «ouvi» aquele silêncio esmagador e senti uma paz e uma tranquilidade únicas - momento decisivo!

sábado, 11 de outubro de 2008

um rio não tem memória...?!


ninguém se banha duas vezes no mesmo rio
Heráclito

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

O Viajante


Se numa noite de Inverno um viajante, debruçando-se da escarpada falésia sem temer o vento e a vertigem, olha para baixo onde a sombra se adensa numa rede de linhas que se entrelaçam, numa rede de linhas que se intersectam no tapete de folhas iluminadas pela lua à volta de uma cova vazia, – Que história lá ao fundo espera o fim? – pergunta, ansioso por ouvir a história.
[Italo Calvino]


Havia alguém que passava por um caminho solitário e via uma coisa que lhe chamava a atenção, então pedia explicações e contavam-lhe uma longa história…

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Assim se vence a melancolia dos dias.




Saímos eu e o L. (eterno companheiro de tantas caminhadas) às cinco da manhã.
De noite, a lua tem luz suficiente para guiar o caminho. Penso em mim. A vertigem do vazio habita dentro de mim, regresso pois a estes dias de “contemplação e assombro”.
Pela frente não se vêm muitos horizontes, só a noite pesada. Mas lá em baixo, lá em cima, de todo o lado, agita-se o rumor livre e profundo da brama.

Surpreendo-me sempre com o nascer do dia. A natureza é tão perfeita, e serena que chega a tornar-se inquietante.

Falta-me, no entanto, o momento que me tem obcecado: a luz da madrugada sobre um imponente veado.

O dia nasce, a vida continua. Regressamos ao carro.
Se vale a pena? A minha pergunta interior fez-me sorrir! Claro que vale a pena.
Assim se vence a melancolia dos dias.

domingo, 5 de outubro de 2008

Há quem lhes chame sonhadores….


… o tom rosa dos pores-do-sol que fazem desmaios! Precisava de pouco para ser feliz.

Gostava de ser um criador de mundos (in)finitos, e brincar com os que vou sonhando.
O presente é apenas uma alavanca para nos reinventarmos:
- Era uma vez um homem que sonhava e brincava com os sonhos que sonhava.