segunda-feira, 4 de agosto de 2008

é pois um apaixonado que fala e diz

(...)Da minha janela, a rede de artérias, vista do alto é uma malha intrincada de avenidas, ruas, ruelas, travessas, calejos, praças e jardins. Deve ser igual a muitas outras.Mas os encantamentos são, muito breves, porque as pessoas tiram-lhes o encanto com ideias.
Os nomes das ruas da minha cidade são tristes:
Rua da Tristeza;
Beco da Amargura;
Avenida do Descontentamento;
Caleja da Angústia;
Escadinhas do Desgosto;
Jardim da Melancolia;
Travessa da Desolação.

Também não consigo parar o pensamento. Por isso escrevo. Sobre o ver e o não ver, penso sempre.
Pensei guardá-los para sempre mas não consigo. Mas é por mim que escrevo.
À imagem de um mundo (o meu mundo), feito de informação, une-se a necessidade de convergir para um sentido, é manter-me no mundo sem perder a noção do meu ritmo orgânico essencial: é uma condição de sobrevivência. A compreensão de um futuro próximo
Mas escrevo para lembrar a queda de um encantamento.
Já não há uma estrela cadente com um nome, só há a estrela que tenho de seguir.
Começo a imaginar coisas e a criar estratégias de procedimento – tenho esboçado em desenhos tão finos, invólucros ilusórios: o nada!
Só!
À noite as ruas são negras: sob o candeeiro diviso o vulto que persigo.
(…)
Um texto pensado e escrito em Setembro de 2007, hoje perdeu todo o sentido.

A prosa do romance sobrepôs-se às incertezas da voz!