quinta-feira, 27 de março de 2008

O nome da máscara…


Máscara – ETN. Artefacto que representa a face ou parte dela, usado para cobrir o rosto e disfarçar a pessoa que o põe. Desempenha papel importante nas festas, cerimónias carnavalescas e espectáculos, e em muitas outras manifestações da vida social, entre os povos incultos e semicivilizados (religião, guerra, justiça).
In Verbo Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura

Bem, acerca deste significado/definição nada tenho a apontar.


A questão fica resolvida? De modo nenhum!
O que pensar quando a da imagem é a de um insecto?

terça-feira, 25 de março de 2008

terça-feira, 18 de março de 2008

sobre sentidos escondidos


(…) Imagina homens numa morada subterrânea, em forma de caverna, tendo a toda a largura uma entrada aberta à luz; esses homens estão aí desde a infância, de pernas e pescoço acorrentados, de modo que não podem mexer-se nem ver senão o que está diante deles, dado que a cadeia os impede de voltar a cabeça.
(…)
Considera agora o que lhes acontecerá, naturalmente, se forem libertados das suas cadeias e curados da sua ignorância.
(…)
Não achas que ficará embaraçado e que as sombras que via anteriormente lhe parecerão mais verdadeiras do que os objectos que lhe mostraram agora?

In A República, Platão

Palavras em volta da imagem, da imaginação, para se procurar dizer sobre sentidos escondidos, sobre aquilo que se possa dar a ver para além das clarezas e para que o olhar se detenha um pouco mais e possa encontrar ainda outras acepções.

sexta-feira, 14 de março de 2008

quarta-feira, 12 de março de 2008

Retrato de mudança


Substituídos no decurso de um lento processo de mecanização agrícola outras tecnologias vieram, definitivamente, a prescindir do homem para o desempenho de tarefas de importância fulcral no calendário agrícola.
Da libertação da dureza do trabalho e melhoria das condições de vida, assistiu-se também “à perca” de toda a dimensão lúdica e festiva que o acompanhava.

Não sei se nesta globalização apetece ter o que todos os outros têm (e refiro-me a equipamentos culturais) ou materializar a conservação e a divulgação do Património Cultural Móvel – contar a história de uma parte importante da população do país.

É tudo uma questão de modernidade?

A memória tem a sua sede não apenas na mente das pessoas, mas também nos objectos, nos artefactos culturais e simbólicos.
Ajudam a contar a fase final de um balanço no tempo.

Do “rural” real passou-se para o “rural” virtual.
Erguendo voo para o espaço do nosso imaginário, e analisando os objectos (imagem de um passado histórico de região) e de com ele construir a narrativa, reproduzo registo de saber técnico:

Trilho, do tipo tribulum dos romanos, feito de três espessas tábuas ligadas por travessas de forma rectangular, encurvadas à frente, ao jeito de um trenó, e cravejadas de lascas de sílex na face interior.
A debulha do trigo fazia-se a trilho em amplas eiras encampadas, colectivas.
Para aumentar o seu poder de desgranar e cortar a palha, uma pessoa a pé ou sentada num banco conduzia daí o gado.


Quem sabe se num futuro próximo, alguém ao analisar este post não dará uma “explanação” sobre a “máquina que as transporta”….quiçá também ela deslocada do seu local de trabalho!!

segunda-feira, 10 de março de 2008

#


Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

(…)
Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los

E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.
Depois deito-me para trás na cadeira

E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.

Tabacaria,
Fernando Pessoa

terça-feira, 4 de março de 2008

Passante




Fascinado pelo invisível e pelo inconsciente, prefiro a realidade aos sonhos.
A noite revela ser uma cúmplice submetida ao fotógrafo que faz habilidades com as luzes, com as massas e as formas, com grafismos mais acabados que sublinham muitas vezes as cores.
É da própria simplicidade dessas imagens quase intemporais que surge o fascínio imaginativo capaz de fazer sair da realidade o que nem sempre aparece a um simples olhar.
É a questão milenária desta antiquíssima coisa: a Arte.

Ps. E será a fotografia Arte?