terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

A-realidade


Sim, está tudo certo.
Está tudo perfeitamente certo.
O pior é que está tudo errado.
Aí está um grande enigma cuja solução jamais conhecerei:
Assalta-me, por vezes, uma ideia: ponho-me a examinar longamente o corpo, como se quisesse ver o que há lá dentro.
Escuto todos os argumentos.
Apesar das dificuldades, das dúvidas, essa operação processa-se de um modo frio.
Calmo, atento, como se estivesse diante de um estranho.
Uma perturbação elevou-se no meu espírito. A imagem harmoniza-se.
Diga o que disser, a informação é-me dolorosa: um pedaço de realidade cai sobre mim.
A imagem recorta-se é pura e nítida.
A imagem é peremptória:
- Não “paste” neste terreno!
Diz a imagem que tenho diante dos olhos.

Submisso ao Imaginário regresso a uma imagem sem nada compreender.
Sempre visual procuro ver os sinais da sua ocupação – a causa da minha solidão.

3 comentários:

Divinius disse...

Gostei de ler:)
A LUZ QUE TE DEIXO É DA COR DA MINHA VIDA:)

Ana Paredes Mendes disse...

Em termos sociol�gicos, o realismo defende que o mundo social � uma realidade em si mesma, factual, uma entidade positiva. Caro Alexandre, n�o se deixe 'dominar' pela solid�o apesar de...muitas vezes ela nos transmitir a paz interior de que tanto necessitamos.
Parab�ns pelo blog, uma lufada de ar fresco!

Profanus disse...

»sempre visual procuro ver os sinais da minha ocupação !»»