quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Colaboração e diálogo


(…) O uso dos locais de exposição fora dos museus foi motivado não só por uma necessidade prática de espaço, mas também pelo significado que esses locais transmitem e contribuem para a obra de arte, a liberdade que eles concedem à inovação, o potencial que oferecem para a acessibilidade pública, e o espaço psíquico que proporcionam a artistas e audiência. (…)
Mary Jane Jacob

Podemos concluir, portanto, que a obra de arte pode ser completada pelo “público”, aberta a uma série virtualmente infinita de leituras possíveis…!

Nota:
Legenda da imagem:
O criador - Igor Mitoraj
Local - Madrid, Fevereiro. 2008
O interveniente – não faço a mínima ideia….!

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

A conquista do instante


Recordo-me da minha infância.
Nas praças, nos jardins, junto aos ex-libris mais visitados, em enquadramentos naturais e com divulgação acautelada, sem retoques, sem o fingimento aprimorado dos estúdios, a fotografia pública nas mãos dos lá minuta, guardavam o instante em galerias de memórias.
Hoje pertenceu-me, e omitindo o clássico pregão - olhem o passarinho…, num avivar de recordações - a conquista do instante.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Discurso poético e informação ou a sugestão orientada


Nós produzimos a máquina; a máquina oprime-nos com uma realidade desumana e pode tornar desagradável a relação com ela - a relação que temos com o mundo.
Sem remédio? Não, simplesmente sem possibilidade de eliminar este pólo negativo: projectado no meio de uma tensão a resolver.
Diante da visão o espírito abre-se subitamente como numa iluminação repentina.
A poesia realizou a sua operação de recuperação e ofereceu-nos a possibilidade de uma nova paisagem.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

“Imaginação” é a palavra certa


Estorva-me a terra por causa do sonho
Estorva-me o sonho por causa da terra
Eu ando na guerra do sonho com a terra


Almada Negreiros

Perspectivar o futuro implica questionar o presente. E o futuro não está forçosamente mergulhado num caos incontrolável.
Método do optimismo: provavelmente há que reinventar coisas simples.
E este seria só o princípio.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

A-realidade


Sim, está tudo certo.
Está tudo perfeitamente certo.
O pior é que está tudo errado.
Aí está um grande enigma cuja solução jamais conhecerei:
Assalta-me, por vezes, uma ideia: ponho-me a examinar longamente o corpo, como se quisesse ver o que há lá dentro.
Escuto todos os argumentos.
Apesar das dificuldades, das dúvidas, essa operação processa-se de um modo frio.
Calmo, atento, como se estivesse diante de um estranho.
Uma perturbação elevou-se no meu espírito. A imagem harmoniza-se.
Diga o que disser, a informação é-me dolorosa: um pedaço de realidade cai sobre mim.
A imagem recorta-se é pura e nítida.
A imagem é peremptória:
- Não “paste” neste terreno!
Diz a imagem que tenho diante dos olhos.

Submisso ao Imaginário regresso a uma imagem sem nada compreender.
Sempre visual procuro ver os sinais da sua ocupação – a causa da minha solidão.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Narração de um presente com um gesto em vez de um olhar


No centro do meu “trabalho” de fotógrafo e na visível diversidade dos meus temas, reside a ideia de experiência.
A fotografia permite ver em fracções de segundo coisas que muitas pessoas não se apercebem por mais que olhem.

A câmara varre espontaneamente a rua. Elejo “faces gloriosas”:

[“Aquelas que vivem atitudes de passagem. Porque não duram mais que breves instantes, fracções de sentimentos alterados entre a alegria e a tristeza, o amor e o ódio, o entusiasmo e a retracção”.]

A cidade revela o seu anonimato a fotografia retribui ao registar os seus intérpretes.
Aquela coincidência, velocíssima, e pronto: “aprisionar ou largar”.

A narração deste momento emerge do forte compromisso; o “fotógrafo” elege mas não os individualiza; estabelece laços inesperados entre pessoas e lugares, cidades e histórias.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Batente ou Aldraba?!


Até há uns dias nunca tinha pensado na etimologia das palavras - para mim ambas (Batente ou Aldraba) tinham as mesmas funções - avisar/chamar!
Mas pelos vistos a significância não é assim tão linear:
Utilizávamos os batentes para “bater/chamar”e as aldrabas…também para “bater/chamar”…
Concordo.
Não introduzi nada de novo nos conceitos….

Assim, vamos lá por partes:
Aldraba - s.f. tranqueta de ferro com que se fecha a porta; peça metálica para bater à porta.
Batente – s.m. aldraba.

Posto isto, e pondo de lado o ponto de vista técnico - a função de trinco, bem como a função decorativa versus função de amuleto assim como as simbologias, talvez expressão de crenças e estatuto social, há quem se anuncie pela aldraba ou pelo batente.
Será?
Ou do prazer em utilizar/manipular estes objectos de arte, seja hoje um contentar com o pressionar do botão (industrializado senão mesmo amorfo) do aparelho sonoro de alarme ou chamada – a campainha!


ps.ainda sobre o post anterior. Dúvidas sobre a Mão-de-Fátima?
aconselho a passagem por http://paredescardoso.blogspot.com/

As ruas encantadas



Questionado por mail sobre a existência ou não de batentes Mão-de-Fátima por estas bandas, embora com uma grande certeza da sua existência, resolvi aproveitar a manhã de “feriado” (ou não tivesse o pedido sido escrito por umas mão deliciosamente femininas – está bem confesso, não resisto a mãos delicadas) para calcorrear ruas e vielas.
Habituados como estamos “ao acabado de construir”, integrados numa paisagem urbana homogénea, agradou retomar o contacto com o passado…tímidos voyers de um imenso e contínuo objecto encontrado.

A retina e o cérebro espapaçam-se e, por fim, um último confronto:

Bruno Munari afirmou acertadamente que cada um vê o que sabe. Claro que são necessários outros requisitos …

De resto, a avaliação puramente prática com respeito ao grau de utilidade de um utensílio obedece a uma escala afectiva de valores, transformando-o numa propriedade cobiçada…!

Ps. Tal como pensava as portas do casario da parte velha da cidade são detentoras de diversos exemplares dos batentes Mão-de-Fátima.