quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

A arte de pensar em imagens


O mundo é um objecto simbólico?


Todos nós temos uma “terrível” necessidade de reflectir.

Se em tudo há ou pode haver uma função simbólica, uma tensão comunicante, é na ideia do mundo como labirinto que a analogia se fundamenta entre dois planos da realidade:
Ao procurar o sentido autêntico a névoa poderá simbolizar o indeterminado, remetendo a ponte que liga o sensível e o suprassensível, na coerência e obedecendo a categorias como são o espaço e o tempo, para a mudança ou o desejo de mudança.

Mas o fascínio do símbolo actua, onde quer que a imagem se encontre.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

A fotografia como meio de produzir tempo


Um testemunho privilegiado das nossas memórias, pessoais e colectivas: a fotografia persistiu e persiste como um dos meios mais privilegiados de análise da transitoriedade do espaço e da vida urbana.

Intérprete da actualidade, o fotógrafo é, como sugere Susan Sonlag, uma “versão armada do caminhante solitário, que explora, ronda e percorre o inferno urbano, e do “voyeurista” errante que descobre a cidade como uma paisagem de extremos voluptuosos […] e que o fotógrafo captura”.


Ainda que em silêncio, e com o rosto oculto na câmara, transformo o movimento em imobilidade - é a “Arte de congelar o tempo”.

Nota: Também isto é memória e, assim, também é tempo construído.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

O visível abrigando o invisível




Um painel de almas.
Uma edificação popular habitualmente pobre de formas, localizada em zonas despovoadas, em encruzilhadas ou em locais fronteiriços, erguendo-se bem visível na paisagem, e que dispõem de qualidades que extravasam completamente a sua presença material, pois remetem para o campo do religioso ou da superstição que o mero observador nem sempre compreende ou detecta.

Mas a linguagem não é tudo.
O que temos que respeitar nele?
Não, evidentemente, a habilidade manual do autor…A intenção?

Mas gostava de colocar a questão num plano mais vasto.

O que faz com que as obras perdurem?

De certa maneira, é justo a salvaguarda do património cultural, é justo criarmos condições para que as gerações que se vão seguir a nós tenham “acesso” à herança cultural.

Ps. Escusado será dizer que muito deste “património” apresenta graves sinais de “abandono”.