segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Para evocar o instante.


Vivemos em, e através de, uma rede de signos.
A informação gira à nossa volta num vasto processo de troca.
…a Cruz tem uma função de síntese e de medida. Nela se encontram o Céu e a Terra…nela se entrecruzam o Tempo e o Espaço.

… a Árvore universalmente considerada um símbolo de relações entre a Terra e o Céu reúne todos os elementos: a Água, que circula com a sua seiva, a Terra, que se integra no seu corpo pelas raízes, o Ar, que alimenta a s suas folhas, o Fogo, que a consome.
Ficámos com duas questões!
Assim, as duas “normas constitutivas” deixam espaço para a Terceira Dimensão Óptica.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

a analise iconográfica desta composição….



O significado das coisas não está nas coisas em si, mas sim na nossa atitude em relação a elas.

Antoine de Saint Exupéry
ps.obrigado Locas pela sugestão de título ...

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

A lente discreta (e o presente imaginário)


Todas as imagens têm um ângulo, uma abordagem – e nessas circunstâncias, todas as imagens reflectem uma ideia, uma forma de pensar, uma forma de ver. É óbvio...!
Flutuando num espaço múltiplo, ilusório e material, o plano branco da “tela” onde se definem vários cenários.
Nada é por acaso, mas também não é de difícil interpretação, a qual dependerá da disponibilidade para ir percorrendo as pistas oferecidas e encontradas…e outras se mantêm abertas!

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

A imagem liberta o pensamento?!


O pensamento perpassa com passinho miúdo para lá das aparências.
O relance visual incita à meditação - a linguagem da alma!

domingo, 26 de outubro de 2008

Um jogo de linguagem


Os nomes das cores caracterizam a impressão de uma superfície sobre a qual vagueia o nosso olhar.
Os conceitos de cor devem juntar-se de uma forma idêntica aos conceitos de sensações?
Que as cores têm as suas causas e efeitos característicos - é algo que sabemos.
Haverá uma “história natural das cores”, e até que ponto será ela análoga a uma história natural das plantas?
Não é esta última temporal e a outra atemporal?

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Movimento próprio das ideias...


...ou a magia da luz na definição dos espaços!

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Rascunho do Céu


Dá-nos os passos dos teus passos

de manhã triunfal de cidade à solta....

Alexandre O´Neill

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Um conto em três andamentos...!


1.º andamento

Conto imaginário:

Passou-se um dia sobre aquele fim de tarde de sensualidade, amor e paixão... mas hoje, ainda paira no ar a magia e o odor de teu delicioso e maravilhoso corpo. Sinto-me até, completamente possuído, pelo suave e luxuriante cheiro que produz em mim o louco desejo de te amar com toda a minha entrega e paixão.
Todo este odor misturado com a tua imagem deixa-me num louco estado de desejo e excitação, que a muito custo consigo refrear...
Estou neste exercício de contenção e... eis que começo a vislumbrar uma silhueta inconfundível, a aproximar-se de mim…- Mãos ao alto, Sr. Veado (diz a voz)!

2.º andamento

É entre Setembro e Novembro que ocorre a Brama do Veado.
Percorrendo os cumes isolados das Serras é possível ouvir no silêncio, a qualquer hora do dia ou da noite, o impressionante som característico da época de reprodução do veado.
Através da intensidade de longos e potentes bramidos (por este motivo esta época toma também o nome de “brama”) emitidos pelos machos de veado que assim procuram dominar as melhores áreas, as que apresentam o maior número de fêmeas, e intimidar os possíveis concorrentes (as fêmeas são fecundadas nesta altura do ano vindo as crias a nascer entre Maio e Junho do ano seguinte.).

3.º andamento

Período de caça aos veados: todos os dias de Setembro a Outubro.

Posfácio. Mas talvez a inconsistência não esteja só nas imagens ou só na linguagem: está no mundo.

O que vale um olhar?


Sinto que há um instante que se fixa, que fica retido na memória ou no olhar, resigna-se a aceitar a evolução dos tempos, restando-lhe apenas encenar no cenário actual.

O quadro está totalmente preenchido pelo calor de pequenas formas de felicidade, ora etéreas, ora vulgares!
…e ao longe ouvia-se o som de uma gaita - de - foles, subitamente, sem que fosse combinado ou pedido, sem aviso nem razão.


Encanto, sedução e paixão!

Espaços vazios se fazem sempre presentes, espaços propícios a reflexões em caminhos misteriosos que nos conduzem ao imaginário.


Eu «ouvi» aquele silêncio esmagador e senti uma paz e uma tranquilidade únicas - momento decisivo!

sábado, 11 de outubro de 2008

um rio não tem memória...?!


ninguém se banha duas vezes no mesmo rio
Heráclito

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

O Viajante


Se numa noite de Inverno um viajante, debruçando-se da escarpada falésia sem temer o vento e a vertigem, olha para baixo onde a sombra se adensa numa rede de linhas que se entrelaçam, numa rede de linhas que se intersectam no tapete de folhas iluminadas pela lua à volta de uma cova vazia, – Que história lá ao fundo espera o fim? – pergunta, ansioso por ouvir a história.
[Italo Calvino]


Havia alguém que passava por um caminho solitário e via uma coisa que lhe chamava a atenção, então pedia explicações e contavam-lhe uma longa história…

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Assim se vence a melancolia dos dias.




Saímos eu e o L. (eterno companheiro de tantas caminhadas) às cinco da manhã.
De noite, a lua tem luz suficiente para guiar o caminho. Penso em mim. A vertigem do vazio habita dentro de mim, regresso pois a estes dias de “contemplação e assombro”.
Pela frente não se vêm muitos horizontes, só a noite pesada. Mas lá em baixo, lá em cima, de todo o lado, agita-se o rumor livre e profundo da brama.

Surpreendo-me sempre com o nascer do dia. A natureza é tão perfeita, e serena que chega a tornar-se inquietante.

Falta-me, no entanto, o momento que me tem obcecado: a luz da madrugada sobre um imponente veado.

O dia nasce, a vida continua. Regressamos ao carro.
Se vale a pena? A minha pergunta interior fez-me sorrir! Claro que vale a pena.
Assim se vence a melancolia dos dias.

domingo, 5 de outubro de 2008

Há quem lhes chame sonhadores….


… o tom rosa dos pores-do-sol que fazem desmaios! Precisava de pouco para ser feliz.

Gostava de ser um criador de mundos (in)finitos, e brincar com os que vou sonhando.
O presente é apenas uma alavanca para nos reinventarmos:
- Era uma vez um homem que sonhava e brincava com os sonhos que sonhava.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Orientação no ambiente


O conceito de sinal representando uma indicação, uma ordem, uma advertência, uma proibição ou uma instrução, o seu objectivo não é apenas comunicar, mas sobretudo produzir uma reacção imediata no observador.
A sinalização pública requer um reconhecimento imediato e o visitante assimila com relativa rapidez o processo de aprendizado desses sinais.
Em todo o caso essa área é um terreno em que convêm movimentar com cautela.


Para com esta última afirmação, temos de voltar ao princípio da história.


Se numa madrugada de Setembro, placidamente instalados em plena natureza observando a brama dos veados e se de repente aparecesse vindo do nada um indivíduo pertencente a um organismo do estado ligado aos serviços florestais, e com maus modos vos informasse que era proibido estar naquele local, vos fizesse sentir co-responsáveis pelo facto de um humilde caçador não conseguir abater um veado e como tal ter que ser reembolsado da quantia “investida” para a caçada…qual seria a vossa reacção?

Fica-se em silêncio! O visitante não se desacreditou tanto por ser revelado uma lacuna nos seus conhecimentos mas por ter infringido as regras.

Esta resposta provocaria uma ruidosa gargalhada aos leitores e faria com que o visitante, no seu atrapalhamento, ficasse com ar de um perfeito imbecil.

Isto não é um passeio no bosque da ficção! Aconteceu!

Ps. Esqueci de referir que a somar ao já descrito também tive a informação que já tinha sido dado ordem à GNR para apreensão do meu carro….pois tal como nós também ele não poderia estar estacionado naquela zona…! Abençoado A.P. que espicaçou a minha curiosidade de cidadão na procura da legalidade!
Oxalá nos encontremos na próxima brama!!!!

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Quando de uma escolha se trata


Era uma vez…. Dizem que é assim que começam todas as histórias, umas mais de encantar, outras menos.
Infelizmente, cada vez mais o “era uma vez….” está menos presente nos nossos dias.
Somos aquilo que pensamos, sentimos e sonhamos, sejam eles bons ou maus…não lhes parece!

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

é pois um apaixonado que fala e diz

(...)Da minha janela, a rede de artérias, vista do alto é uma malha intrincada de avenidas, ruas, ruelas, travessas, calejos, praças e jardins. Deve ser igual a muitas outras.Mas os encantamentos são, muito breves, porque as pessoas tiram-lhes o encanto com ideias.
Os nomes das ruas da minha cidade são tristes:
Rua da Tristeza;
Beco da Amargura;
Avenida do Descontentamento;
Caleja da Angústia;
Escadinhas do Desgosto;
Jardim da Melancolia;
Travessa da Desolação.

Também não consigo parar o pensamento. Por isso escrevo. Sobre o ver e o não ver, penso sempre.
Pensei guardá-los para sempre mas não consigo. Mas é por mim que escrevo.
À imagem de um mundo (o meu mundo), feito de informação, une-se a necessidade de convergir para um sentido, é manter-me no mundo sem perder a noção do meu ritmo orgânico essencial: é uma condição de sobrevivência. A compreensão de um futuro próximo
Mas escrevo para lembrar a queda de um encantamento.
Já não há uma estrela cadente com um nome, só há a estrela que tenho de seguir.
Começo a imaginar coisas e a criar estratégias de procedimento – tenho esboçado em desenhos tão finos, invólucros ilusórios: o nada!
Só!
À noite as ruas são negras: sob o candeeiro diviso o vulto que persigo.
(…)
Um texto pensado e escrito em Setembro de 2007, hoje perdeu todo o sentido.

A prosa do romance sobrepôs-se às incertezas da voz!

sexta-feira, 18 de julho de 2008

As actividades práticas do silêncio


Aprender é trazer para a ordem do saber formulável o que ele já é estando e sendo.
Estando sempre pronto a partir, desenhar é um partir pronto a partir de novo.

domingo, 6 de julho de 2008

[...]

Nos campos, uma fonte, uma nora, um baldão, uma cabana de pastor, de colmo ou pedra, um cruzeiro, uma capela de almas, servem para marcar no rosto fresco da paisagem esse qualquer coisa de humano que os nossos sentidos civilizados sobretudo apreciam.

imagens de pensamento ou o espaço ilimitado...

A paixão do movimento quando o bidimensional ganha vida no espaço.

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Alminhas, perdidas, pequeninas coisas onde se podem fixar momentaneamente os olhos cansados do viandante…!


As alminhas deixam uma grande impressão de doçura e serenidade. E apesar do assunto a que respeitam, não entristecem, encantam.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

de passagem


Hoje, acompanhando um amigo meu, finalmente, consegui ultrapassar o portão (belíssimo por sinal) que “limita” o acesso às águas medicinais de Calabor.


Confesso que a inveja subiu por mim acima…
Não há nada como estar rodeado pelos cheiros da erva, das árvores, das plantas, das flores….
Sinto-me bem, gosto de pensar no modo como ali o tempo passa.
Escondido, recolhido, a natureza devolve-me o tempo e a disposição para me reencontrar.

Sobre as virtudes da água talvez uma transcrição da história do local possa ser mais elucidativo do que tudo o que eu possa escrever:

(...) Los romanos, grandes aficionados a los baños termales y al cuidado de la salud, encontraron sus aguas tan beneficiosas que incluso en aquellos tiempos la exportaban a distintos puntos de Europa….(...)

Ps.1 Confesso que me custou abandonar aquele paraíso na terra!
Ps. 2 E Maria a sua proprietária - uma simpatia de pessoa!

domingo, 18 de maio de 2008

margem para imaginar, e sugerir reflexões….


Seduzir por imagens é algo que pode funcionar com toda a gente...?

quinta-feira, 24 de abril de 2008

A ilusão do momento


Sentir uma emoção é coisa simples.
E parece estranho, por certo, que o meio através do qual conhecemos um sentimento seja um outro sentimento.
Deixo agora que a mente vagueie. A selecção é inconsciente.
Sozinho em atitude de meditação.

Fico preso à imagem. Guiado por um objectivo e por uma esperança.
A figura, simultaneamente vazia e expressiva.
A cena é, pois interminável, como a linguagem.

Mas não quero apenas palavras, desejo também gestos.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

O vazio ilustrado, uma ilustração irónica ou a cena vazia


Isolado das tertúlias, adoecido irremediavelmente para as certezas dos outros, tudo reinvento a partir do silêncio.
Uma interrogação relampeja-me no olhar!
Depois, pouco a pouco, assobio silenciosamente com um sorriso todo nos olhos.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Vazio de ideias?


O tempo mudou os símbolos da fé, deliu as inscrições sagradas, e relegou para a penumbra da arqueologia o que foi vivo e útil.
MIGUEL TORGA (Portugal, 1950)

Sejamos claros: há dias em que tudo o que vejo me parece pleno de significados.

quinta-feira, 27 de março de 2008

O nome da máscara…


Máscara – ETN. Artefacto que representa a face ou parte dela, usado para cobrir o rosto e disfarçar a pessoa que o põe. Desempenha papel importante nas festas, cerimónias carnavalescas e espectáculos, e em muitas outras manifestações da vida social, entre os povos incultos e semicivilizados (religião, guerra, justiça).
In Verbo Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura

Bem, acerca deste significado/definição nada tenho a apontar.


A questão fica resolvida? De modo nenhum!
O que pensar quando a da imagem é a de um insecto?

terça-feira, 25 de março de 2008

terça-feira, 18 de março de 2008

sobre sentidos escondidos


(…) Imagina homens numa morada subterrânea, em forma de caverna, tendo a toda a largura uma entrada aberta à luz; esses homens estão aí desde a infância, de pernas e pescoço acorrentados, de modo que não podem mexer-se nem ver senão o que está diante deles, dado que a cadeia os impede de voltar a cabeça.
(…)
Considera agora o que lhes acontecerá, naturalmente, se forem libertados das suas cadeias e curados da sua ignorância.
(…)
Não achas que ficará embaraçado e que as sombras que via anteriormente lhe parecerão mais verdadeiras do que os objectos que lhe mostraram agora?

In A República, Platão

Palavras em volta da imagem, da imaginação, para se procurar dizer sobre sentidos escondidos, sobre aquilo que se possa dar a ver para além das clarezas e para que o olhar se detenha um pouco mais e possa encontrar ainda outras acepções.

sexta-feira, 14 de março de 2008

quarta-feira, 12 de março de 2008

Retrato de mudança


Substituídos no decurso de um lento processo de mecanização agrícola outras tecnologias vieram, definitivamente, a prescindir do homem para o desempenho de tarefas de importância fulcral no calendário agrícola.
Da libertação da dureza do trabalho e melhoria das condições de vida, assistiu-se também “à perca” de toda a dimensão lúdica e festiva que o acompanhava.

Não sei se nesta globalização apetece ter o que todos os outros têm (e refiro-me a equipamentos culturais) ou materializar a conservação e a divulgação do Património Cultural Móvel – contar a história de uma parte importante da população do país.

É tudo uma questão de modernidade?

A memória tem a sua sede não apenas na mente das pessoas, mas também nos objectos, nos artefactos culturais e simbólicos.
Ajudam a contar a fase final de um balanço no tempo.

Do “rural” real passou-se para o “rural” virtual.
Erguendo voo para o espaço do nosso imaginário, e analisando os objectos (imagem de um passado histórico de região) e de com ele construir a narrativa, reproduzo registo de saber técnico:

Trilho, do tipo tribulum dos romanos, feito de três espessas tábuas ligadas por travessas de forma rectangular, encurvadas à frente, ao jeito de um trenó, e cravejadas de lascas de sílex na face interior.
A debulha do trigo fazia-se a trilho em amplas eiras encampadas, colectivas.
Para aumentar o seu poder de desgranar e cortar a palha, uma pessoa a pé ou sentada num banco conduzia daí o gado.


Quem sabe se num futuro próximo, alguém ao analisar este post não dará uma “explanação” sobre a “máquina que as transporta”….quiçá também ela deslocada do seu local de trabalho!!

segunda-feira, 10 de março de 2008

#


Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

(…)
Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los

E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.
Depois deito-me para trás na cadeira

E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.

Tabacaria,
Fernando Pessoa

terça-feira, 4 de março de 2008

Passante




Fascinado pelo invisível e pelo inconsciente, prefiro a realidade aos sonhos.
A noite revela ser uma cúmplice submetida ao fotógrafo que faz habilidades com as luzes, com as massas e as formas, com grafismos mais acabados que sublinham muitas vezes as cores.
É da própria simplicidade dessas imagens quase intemporais que surge o fascínio imaginativo capaz de fazer sair da realidade o que nem sempre aparece a um simples olhar.
É a questão milenária desta antiquíssima coisa: a Arte.

Ps. E será a fotografia Arte?

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Colaboração e diálogo


(…) O uso dos locais de exposição fora dos museus foi motivado não só por uma necessidade prática de espaço, mas também pelo significado que esses locais transmitem e contribuem para a obra de arte, a liberdade que eles concedem à inovação, o potencial que oferecem para a acessibilidade pública, e o espaço psíquico que proporcionam a artistas e audiência. (…)
Mary Jane Jacob

Podemos concluir, portanto, que a obra de arte pode ser completada pelo “público”, aberta a uma série virtualmente infinita de leituras possíveis…!

Nota:
Legenda da imagem:
O criador - Igor Mitoraj
Local - Madrid, Fevereiro. 2008
O interveniente – não faço a mínima ideia….!

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

A conquista do instante


Recordo-me da minha infância.
Nas praças, nos jardins, junto aos ex-libris mais visitados, em enquadramentos naturais e com divulgação acautelada, sem retoques, sem o fingimento aprimorado dos estúdios, a fotografia pública nas mãos dos lá minuta, guardavam o instante em galerias de memórias.
Hoje pertenceu-me, e omitindo o clássico pregão - olhem o passarinho…, num avivar de recordações - a conquista do instante.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Discurso poético e informação ou a sugestão orientada


Nós produzimos a máquina; a máquina oprime-nos com uma realidade desumana e pode tornar desagradável a relação com ela - a relação que temos com o mundo.
Sem remédio? Não, simplesmente sem possibilidade de eliminar este pólo negativo: projectado no meio de uma tensão a resolver.
Diante da visão o espírito abre-se subitamente como numa iluminação repentina.
A poesia realizou a sua operação de recuperação e ofereceu-nos a possibilidade de uma nova paisagem.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

“Imaginação” é a palavra certa


Estorva-me a terra por causa do sonho
Estorva-me o sonho por causa da terra
Eu ando na guerra do sonho com a terra


Almada Negreiros

Perspectivar o futuro implica questionar o presente. E o futuro não está forçosamente mergulhado num caos incontrolável.
Método do optimismo: provavelmente há que reinventar coisas simples.
E este seria só o princípio.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

A-realidade


Sim, está tudo certo.
Está tudo perfeitamente certo.
O pior é que está tudo errado.
Aí está um grande enigma cuja solução jamais conhecerei:
Assalta-me, por vezes, uma ideia: ponho-me a examinar longamente o corpo, como se quisesse ver o que há lá dentro.
Escuto todos os argumentos.
Apesar das dificuldades, das dúvidas, essa operação processa-se de um modo frio.
Calmo, atento, como se estivesse diante de um estranho.
Uma perturbação elevou-se no meu espírito. A imagem harmoniza-se.
Diga o que disser, a informação é-me dolorosa: um pedaço de realidade cai sobre mim.
A imagem recorta-se é pura e nítida.
A imagem é peremptória:
- Não “paste” neste terreno!
Diz a imagem que tenho diante dos olhos.

Submisso ao Imaginário regresso a uma imagem sem nada compreender.
Sempre visual procuro ver os sinais da sua ocupação – a causa da minha solidão.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Narração de um presente com um gesto em vez de um olhar


No centro do meu “trabalho” de fotógrafo e na visível diversidade dos meus temas, reside a ideia de experiência.
A fotografia permite ver em fracções de segundo coisas que muitas pessoas não se apercebem por mais que olhem.

A câmara varre espontaneamente a rua. Elejo “faces gloriosas”:

[“Aquelas que vivem atitudes de passagem. Porque não duram mais que breves instantes, fracções de sentimentos alterados entre a alegria e a tristeza, o amor e o ódio, o entusiasmo e a retracção”.]

A cidade revela o seu anonimato a fotografia retribui ao registar os seus intérpretes.
Aquela coincidência, velocíssima, e pronto: “aprisionar ou largar”.

A narração deste momento emerge do forte compromisso; o “fotógrafo” elege mas não os individualiza; estabelece laços inesperados entre pessoas e lugares, cidades e histórias.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Batente ou Aldraba?!


Até há uns dias nunca tinha pensado na etimologia das palavras - para mim ambas (Batente ou Aldraba) tinham as mesmas funções - avisar/chamar!
Mas pelos vistos a significância não é assim tão linear:
Utilizávamos os batentes para “bater/chamar”e as aldrabas…também para “bater/chamar”…
Concordo.
Não introduzi nada de novo nos conceitos….

Assim, vamos lá por partes:
Aldraba - s.f. tranqueta de ferro com que se fecha a porta; peça metálica para bater à porta.
Batente – s.m. aldraba.

Posto isto, e pondo de lado o ponto de vista técnico - a função de trinco, bem como a função decorativa versus função de amuleto assim como as simbologias, talvez expressão de crenças e estatuto social, há quem se anuncie pela aldraba ou pelo batente.
Será?
Ou do prazer em utilizar/manipular estes objectos de arte, seja hoje um contentar com o pressionar do botão (industrializado senão mesmo amorfo) do aparelho sonoro de alarme ou chamada – a campainha!


ps.ainda sobre o post anterior. Dúvidas sobre a Mão-de-Fátima?
aconselho a passagem por http://paredescardoso.blogspot.com/

As ruas encantadas



Questionado por mail sobre a existência ou não de batentes Mão-de-Fátima por estas bandas, embora com uma grande certeza da sua existência, resolvi aproveitar a manhã de “feriado” (ou não tivesse o pedido sido escrito por umas mão deliciosamente femininas – está bem confesso, não resisto a mãos delicadas) para calcorrear ruas e vielas.
Habituados como estamos “ao acabado de construir”, integrados numa paisagem urbana homogénea, agradou retomar o contacto com o passado…tímidos voyers de um imenso e contínuo objecto encontrado.

A retina e o cérebro espapaçam-se e, por fim, um último confronto:

Bruno Munari afirmou acertadamente que cada um vê o que sabe. Claro que são necessários outros requisitos …

De resto, a avaliação puramente prática com respeito ao grau de utilidade de um utensílio obedece a uma escala afectiva de valores, transformando-o numa propriedade cobiçada…!

Ps. Tal como pensava as portas do casario da parte velha da cidade são detentoras de diversos exemplares dos batentes Mão-de-Fátima.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

A arte de pensar em imagens


O mundo é um objecto simbólico?


Todos nós temos uma “terrível” necessidade de reflectir.

Se em tudo há ou pode haver uma função simbólica, uma tensão comunicante, é na ideia do mundo como labirinto que a analogia se fundamenta entre dois planos da realidade:
Ao procurar o sentido autêntico a névoa poderá simbolizar o indeterminado, remetendo a ponte que liga o sensível e o suprassensível, na coerência e obedecendo a categorias como são o espaço e o tempo, para a mudança ou o desejo de mudança.

Mas o fascínio do símbolo actua, onde quer que a imagem se encontre.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

A fotografia como meio de produzir tempo


Um testemunho privilegiado das nossas memórias, pessoais e colectivas: a fotografia persistiu e persiste como um dos meios mais privilegiados de análise da transitoriedade do espaço e da vida urbana.

Intérprete da actualidade, o fotógrafo é, como sugere Susan Sonlag, uma “versão armada do caminhante solitário, que explora, ronda e percorre o inferno urbano, e do “voyeurista” errante que descobre a cidade como uma paisagem de extremos voluptuosos […] e que o fotógrafo captura”.


Ainda que em silêncio, e com o rosto oculto na câmara, transformo o movimento em imobilidade - é a “Arte de congelar o tempo”.

Nota: Também isto é memória e, assim, também é tempo construído.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

O visível abrigando o invisível




Um painel de almas.
Uma edificação popular habitualmente pobre de formas, localizada em zonas despovoadas, em encruzilhadas ou em locais fronteiriços, erguendo-se bem visível na paisagem, e que dispõem de qualidades que extravasam completamente a sua presença material, pois remetem para o campo do religioso ou da superstição que o mero observador nem sempre compreende ou detecta.

Mas a linguagem não é tudo.
O que temos que respeitar nele?
Não, evidentemente, a habilidade manual do autor…A intenção?

Mas gostava de colocar a questão num plano mais vasto.

O que faz com que as obras perdurem?

De certa maneira, é justo a salvaguarda do património cultural, é justo criarmos condições para que as gerações que se vão seguir a nós tenham “acesso” à herança cultural.

Ps. Escusado será dizer que muito deste “património” apresenta graves sinais de “abandono”.