domingo, 2 de dezembro de 2007

Os meus demónios


Todos os seres têm os seus demónios.
São entidades espirituais ao mesmo tempo inferiores e superiores a nós, a quem obedecemos sem saber.

Assumo-os de forma consciente.

Difícil paradoxo: posso ser ouvido por todos, mas só posso ser escutado pelos sujeitos que têm exactamente e presentemente a mesma linguagem que eu.

A espera é um encantamento. Intervalos de espaço, intervalos de tempo, fusão dos instantes.

Neste palco imaterial abdica-se da sua materialização para somente poder ser absorvido pela sensação – investe-se numa relação cúmplice, num leitor activo de mensagens – numa relação interpessoal (ais) electrónica global.

Toda esta conversa acerca de “relações virtuais” não passa disso mesmo, de conversa.

Mas, quando a “imagem” na comunicação electrónica nos é mais familiar (e, porque não assumir, por vezes muito ansiosamente desejada) do que a da “vizinha” que mora ao lado, é porque qualquer coisa mudou na nossa vida corrente, mesmo se nenhuma evolui para um esclarecimento ou uma transformação.

8 comentários:

Gi disse...

todos temos os nossos demónios

todos temos vizinhas que não sabem a altura certa em que o silêncio mais do que o desejo é uma necessidade

todos sabemos que neste mundo virtual, humanizamos o espaço e os sentimentos, por mais que o neguem, ganham forma

pois tudo mudou. não sei é se foi para melhor ...

um beijinho, resto de um bom domingo

Bruxinhachellot disse...

Os meus, os seus, os nossos demônios acabam por nos satisfazer quando desejamos algo que não sabemos como alcançar. Eles nos ensinam atalhos para nos livrarmos da culpa de não sabermos caminhar sozinhos.
Mas cada um de nós vive no meio deles sem afastá-los, pois a vida, em suas muitas facetas, não nos consola nem nos guia.

Beijos de Sol e de Lua.

deep disse...

Sentiríamos menos culpa se admitíssemos que "todos temos os nossos demónios" e que são precisamente esses demónios que trazem, por vezes, sol ao dias e sal à vida. Convém é que não deixemos que sejam motivo de desassossego.

Quanto à cumplicidade, essa sobrevive sem a imagem, alimentando-se de um entendimento que excede as palavras, mas sem as quais não seria possível.
A imagem é uma espada de dois gumes: pode intensificar o encantamento ou, pelo contrário, ainda que inconscientemente, destrui-lo, uma vez que arrasta, quase sempre, (pre) conceitos.

Beijinhos e votos de boa semana.

A Conxurada disse...

Creo que é máis fácil abrirte a unha persoa que non te coñece de nada, pois evitas comezar con prexuízos, e porque ti mesma te podes reinventar.

Biquiños, un texto moi fermoso.

vermella disse...

Miña avoa decía que hai demonios bos e malos,e cómo se distinguen pregunteille eu,respondeume os bos gústannos e os malos dannos carraxe.
beijo da vizinha.

Um Momento disse...

Hum... demónios desejados por mentes que sabem exactamente o que querem, corações que sentem quando a linguagem é semelhante e se entendem na perfeição, sentires que ultrapassam barreiras para além do olhar...
Gostei imenso de te ler
Parabéns pelo post
Deixo um beijo imenso... em ti
Noite serena desejo
(*)

De Amor e de Terra disse...

Também comungo dessa visão das coisas; todos somos feitos de Bem e Mal; logo, todos temos os nossos demónios, como também os nossos anjos.

E esse passarito preso na mão, parece-me ter encontrado o seu "Anjo da Guarda"! Estarei certa?!

Bj

Maria Mamede

São disse...

Talvez as relações não sejam tão virtuais assim!
Já assinou a Petição a favor das crianças abusadas sexualmente?
Boa semana!