segunda-feira, 26 de novembro de 2007

A necessidade poética de SONHAR



Vinde à terra do vinho, deuses novos!
Vinde, porque é de mosto
O sorriso dos deuses e dos povos
Quando a verdade lhes deslumbra o rosto.

Houve Olimpos onde houve mar e montes.
Onde a flor da madrugada deu perfume.
Onde a concha da mão tirou das fontes
Uma frescura que sabia a lume.

Vinde, amados senhores da juventude!
Tendes aqui o louro da virtude,
A oliveira da paz e o lírio agreste...

E carvalhos, e velhos castanheiros,
A cuja sombra um dormitar celeste
Pode tornar os sonhos verdadeiros.

Mensagem,
Miguel Torga


Acredito no sentido instintivo!

O tempo que vivo, onde há “personagens” difusas - seres humanos que a enriquecem, produz no meu “tempo interior” as fraquezas de uma inquietação.

Será a mão que dita esta caligrafia inquietante, uma mão tímida?

3 comentários:

deep disse...

Torga... da comunhão e da reconciliação com a terra-mãe, da energia telúrica, que emana das duras fragas e das árvores protectoras e resistentes...

Boa noite. :) Beijinhos

Um Momento disse...

Miguel Torga:)))))

E a mão... uma mão corajosa!

Beijo sorrindo

(*)

De Amor e de Terra disse...

Não creio tímida essa mão; talvez cautelosa, talvez ansiosa...

...e quanto mais leio Torga, mais o Amo!
Da terra, como eu, encontra(encontrou) na dureza das fragas a beleza doce e branda dos sentires; e quem sabe se o verso com que termina o soneto é possível?!...

Bj

Maria Mamede