terça-feira, 27 de novembro de 2007

E...


(…)

Era uma vez um homem que pretendia calcular tudo.

Prazeres, dores, virtudes, vícios, verdades, erros: para cada aspecto do sentir e do agir humanos este homem estava convencido de que podia estabelecer uma fórmula algébrica e um sistema de quantificação numérica. Combatia a desordem da existência e a indeterminação do pensamento com a arma da «exactidão geométrica», ou seja, de um estilo intelectual todo contraposições claras e consequências lógicas irrefutáveis.

O desejo do prazer e o temor da força eram para ele as únicas certezas das quais se pode partir para penetrar no conhecimento do mundo humano: só por esta via podia chegar a estabelecer que até valores como a justiça e a abnegação tinham qualquer fundamento. (…)


Porquê ler os clássicos? Italo Calvino.

3 comentários:

A Conxurada disse...

Teño na lista de libros pendentes algo de Italo Clavino, pero por desgraza terá que esperar ao verán.

Beijos.

Um Momento disse...

Adorei o texto
Belo!

Beijo ... em ti
(*)

De Amor e de Terra disse...

não poderá, nunca, esse homem (ou outro qualquer) prever tudo, equacionar tudo, pois tanta coisa na vida é somente, digamos, fortuita e por isso mesmo encantadora na sua inexactidão como acontecimento.
Viver é surpreendente!

Bj

Maria Mamede