quinta-feira, 11 de outubro de 2007

A oscilação entre dois olhares…


Dando expressão à larga escala de interpretações entre o conteúdo simbólico e a composição formal, a riqueza de um elemento, a superfície da “obra” , uma mensagem icónica codificada pode ser vista independentemente e permite uma interpretação livre, sem adulterar os contornos da realidade.

O carácter expressionista da representação de uma corporalidade real, torna-se particularmente nítido.

Aqui não é possível invalidar a censura à satisfação do “voyeurismo” evidente.
Talvez seja isto verdadeiramente a abstracção.
Tudo significa e contudo tudo é surpreendente.…!

Numa mesma imagem retomemos uma vez mais o processo do sentido – um outro simbolismo:

Do que a vida é capaz!
A força dum alento verdadeiro!
O que um dedal de seiva faz
A rasgar o seu negro cativeiro!

Ser!
Parece uma renúncia que ali vai,
- E é um carvalho a nascer
Da bolota que cai?

Miguel Torga, Diário

11 comentários:

Crónica disse...

"Talvez seja isto verdadeiramente a abstracção.
Tudo significa e contudo tudo é surpreendente.…!"

As iludências aparudem neste caso!

Mas onde o imaginário e a imaginação o real e o abstracto se misturam, tudo é possivel

é a ponte entre o ser e o talvez ser como tu mesmo disseste "a oscilação entre 2 olhares"

Jinhuz Crónicos

_E se eu fosse puta...Tu lias?_ disse...

Grata pela visita:)

E bravo por esse conto que vive e partilha connosco.

Voltarei.

*******

Gi disse...

Alexandre

Curiosamente o tema que abordas tem de certa forma a ver com o texto de Rilke que deixei no meu blogue.

Ver o interior das coisas, abstraírmo-nos do que conhecemos e consideramos realidade... aceitar aquilo que vemos como se fosse a 1ª vez. Criar da abstracção uma nova realidade .


beijinhos

Um beijinho

Tchivinguiro: onde nasci. disse...

É mesmo «osilação». O que uma bolota não faz reflectir.

Ema Norte disse...

Bom fim de semana.

Beijos.

Alexandra disse...

"Do que a vida é capaz!"

A vida é capaz de tanta coisa...!

Gosto deste novo registo em que se insere Alexandre.

Beijo e bom fim de semana.

ivone disse...

miguel torga só se comenta com miguel torga

Recomeça...
Se puderes,
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
do futuro,
Dá-os em liberdade
Enquanto não alcances,
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.
Miguel Torga - Recomeçar

abstraccionemo_nos de nós
para começar de novo

sê livre e inteiro
no tudo que fazes
fecha os olhos às aparências
sê real e verdadeiro
nas cores que te rodeiam
descobre todas as nuances
nas palavras que te escrevem
lê sempre nas entrelinhas
e nas imagens que te possam oferecer
tenta sempre recolher o que não está visível

sê inteiro.

bj

RV disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
RV disse...

Disse Platão que apenas as ideias são eternas, as formas que as circunscrevem e os corpos que as plasmam, sujeitos ao tempo, morrem.

Aqueles que possuem a consciência do símbolo, Possuem o poder de controlar a expressão do mesmo, pois este apresenta-se ao ser no palco da consciência, por outro lado, aqueles que não possuem a consciência do mesmo, acabam por sofrer o impacto por detrás das cortinas da mente, pelos meandros do sub consciente. Geram-se tensões que se alinham para determinadas direcções e o Homem torna-se súbdito de uma força invisível que o leva a desembocar num qualquer acto.

Vive o Homem rodeado de símbolos de maior ou menor poder. Este post que publicou pode ajudar-nos a reflectir na seguinte questão:

Somos seres pensantes ou seres Pensados?

Parabéns pelo post e obrigado pelo momento de reflexão que me proporcionou.

Gi disse...

Vim ver se havia material novo.

Deixo um beijinho

De Amor e de Terra disse...

Só Miguel Torga para dar tanta beleza ao "elogio da simplicidade"!

...e realmente, tudo, mesmo as coisas mais simples, são dignas de contemplação e elogio na sua criação!

Bj

Maria Mamede