terça-feira, 23 de outubro de 2007

O império da imagem – ou uma proposta de investigação


A meio caminho entre uma problemática estética e uma problemática ideológica tenho andado de braço dado com um fenómeno curioso e apaixonante da “indústria cultural” - a Arte Pública.

Procuro a noção:

monumento, s.m. construção ou obra de escultura destinada a perpetuar a memória de um facto ou de alguma personagem notável.

Mas não é o conceito de monumento que pretendo destacar.

Se no passado a presença de uma escultura era justificada pela celebração de um acontecimento ou pelo laudatório de uma figura ilustre, o que significa hoje a “necessidade” dos projectos de “arte pública”?

Assim, este é um problema que diz respeito a um discurso sobre arte e sobre a função da arte no mundo contemporâneo? Ou será que as cidades/autarcas reclamam para si estes referenciais de modernidade?
Mas afinal quem se pretende que passe à categoria de ilustre – o autor ou quem a “encomendou”?

Não é uma tarefa fácil; nem é fácil estabelecer exactamente o campo de interesses.
Nesse sentido teria podido tornar-se o ponto de referência de uma série de projecções.

Vou-me ficando por aqui…
Rendo-me à evidência:
- Andy Warholl deu voz à era da imagem, com os seus “quinze minutos de fama”…!

Nota: E neste jogo(s) de poder(es) aonde se “encaixa” a mais velha arte do mundo?
Convém não esquecer que desde que a humanidade descobriu a expressão gráfica, tem havido escrita nas paredes…!


10 comentários:

Manuela Viola disse...

Eu penso que quem encomenda a obra de arte, pretende "as custas" do ilustre, ficar ele próprio também ilustre.
Um beijinho Alexandre

_E se eu fosse puta...Tu lias?_ disse...

Hum....haveria tanto a discutir...

sou suspeita, mas monumento não significa escultura.

E Andy Warholl é sem dúvida um dos maiores porque inovou com a pop art. Gostando-se ou não.

beijinhos muitos

ivone disse...

toda a forma de expressão deverá à partida tornar-se pública.porque qualquer forma de expressão artística entre outras coisas é provocação também. porquê manter na privacidade e em segredo se assim o é? deste modo a sua função deixaria de existir.

a necessidade de se mostrar a todo o custo qualquer coisa que apelidam de "arte" torna-se por vezes numa lixeira visual que nos fere os olhos enquanto apreciamos o que nos colocam à frente a todo o custo seja ele qual for.

é preciso saber educar os olhos.
é urgente sensibilizar os olhares.

e a fama é tão efémera...

bj

Pequete disse...

A questão é pertinente, e a resposta não é simples, eu tendo a concordar com a manuela viola, e também com a ivone.
Obrigada pelo comentário ao meu desabafo eólico... é bom saber que nem toda a gente na CMB pensa da mesma maneira - e outra coisa não seria de esperar, no seu caso particular! Enfim, haja esperança.

Gi disse...

A ideia é boa a intenção que por vezes lhe está subjacente é que nem por isso ...

A mostra que aqui deixas é de uma falta de gosto incrível. parece um antena "paranóica" velha deixada encostada à árvore.

Enfim ...


Beijinhos


(Tenho andado arredada das visitas com a organização dos 2 novos blogues, hoje estou a ver se me ponho em dia :) )

MIMO-TE disse...

Vim retribuir e agradecer a visita. Mas neste momento tenho também que agradecer o facto de nos levar a analisar este tema. Realmente, não é fácil, para quem gosta de escrever conseguir tempo para o mais importante,e menos fútil,carece de tempo. Enfim, por isso fico feliz por estar aqui hoje e de poder convosco abordar este tema. Penso que todas as ideias aqui deixadas são válidas,na verdade todos vemos como se inaugura,tantas vezes à preça, por encomenda e principalmente em época de eleições, novos monumentos (sendo escultura ou não )dando a impressão de que o mérito é de quem encomendou a obra e não do seu criador. Acho mesmo que isso é o mais importante nasta época. Mas como "sonho" tenho a esperança que obras de arte tenham sempre o cunho do seu criador e que quem as contempla tenha isso em consideração.

Deixo mimos, e voltarei.

espaço história & arte disse...

Acho muito curiosa esta questão! Eu penso que tanto o encomendador da obra como o artista ou executor no fundo respondem à mesma necessidade pueril de se prolongarem além da sua efémera existência! Nesse sentido é comovente a frágil materialização de uma obra pública… e divertida a multiplicidade de estratégias, correntes, filosofias e atitudes que se evocam para justificar um medo concreto, universal e que nos acompanha desde Lascaux… e suponho que ainda nos acompanhará mais umas poucas de gerações!
hoje sinto-me particularmente benevolente…por isso também me atrevi a publicar a minha humilde opinião!!
Beij Alexandre!

Bia disse...

obrigada pela tua visita :)
O que aqui nos deixas dava "pano para mangas"
a arte é subjectiva tal como o olhar de cada um de nós sobre a mesma...
beijo meu

RV disse...

Um Bem haja, Alexandre.
Obrigado pelo seu comentário no mês espaço.

A Arte, e escrevo Arte com letra maiúscula, há quanto tempo foi esquecida? A Arte, essa que é a plasmação dos princípios mais puros da Alma Há muito que não se vê. Vê-se sim muito artesanato, em esculturas, pinturas, edifícios até mesmo nas palavras. O artesanato apenas plasma os gostos egocêntricos da alma, tais como, paixões, desejos, tristezas, como pode alguém chamar Arte a riscos numa tela?
A maior aproximação do ideal da Arte, vemo-lo na natureza, pois a Arte é veiculo da beleza, harmonia, ordem. A Arte agrega o Homem e não o dissocia.
Por sua vez, o artista actual é um simples artesão, porque para além de não ultrapassar esse patamar das paixões reflecte o seu interior na fama que procura, e a todo o “custo” da sua mente apenas saem monstros, muito longe de serem os frutos que as Musas oferecem.

vermella disse...

Moi interesante,non seí na túa terra pero aquí nas placas que se poñen nas esculturas ou calquira outra manifestación artística sempre figura o político de turno e as veces non está o autor!............As veces tamén hai intereses económicos ou pago por servicios prestados polo artista que somente coñecen na súa casa.
beijo.