quinta-feira, 6 de setembro de 2007

O facto sem a vontade de o exprimir




Quanto mais profundamente mergulho em mim, mais profundamente compreendo a absoluta solidão do acto de criar.
Quando me entrego muito intensamente a esse acto de vida, essa grande paixão que me impulsiona a viver, após o esgotamento sensível provocado por um mundo de aço e “dinamite”. Penso se os outros sentiriam o mesmo
Queria pousar a cabeça no coração de alguém e adormecer sobre essa almofada palpipante.
Os encantamentos são, muito breves, porque as pessoas tiram-lhes o encanto com ideias.
O céu sobre mim é, portanto, a única coisa clara, transparente e compreensível.
Que estranha é a ideia de pensar que o meu tempo é solitário.

Mas eu, alheio sempre, sempre entrando
O mais íntimo ser da minha vida
Vou dentro em mim a sombra procurando


Fernando Pessoa

É esta a última e mais tremenda das tentações: querer partilhar os meus sentimentos.

Olho à volta, na floresta. Reparo num esquilo….!

E o meu coração continua cheio de ervas daninhas!

4 comentários:

De Amor e de Terra disse...

Olá Alexandre, boa tarde!
Muito belo, bem escrito e sempre a mesma insatisfação e a busca perene!

Entanto, esse amiguinho gracioso,observa meio escondido, os passos e os gestos.

Bj

Maria Mamede

SILÊNCIO CULPADO disse...

Lindo este post. Uma belissíma reflexão.Também muitas vezes me questiono por estes novos atalhos onde me perco dentro de mim. Atalhos que me afastam das coisas simples e sensíveis e não me deixam tempo para amar a vida em toda a sua plenitude.

Ema Norte disse...

Bom fim de semana.

Bjos.

Tchivinguiro: onde nasci. disse...

Criar é, penso, um acto solitário.