segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Hoje é outro dia (ou uma introspecção em três andamentos)


1.º andamento

“Que Gigantes” disse Sancho Pança. “Aqueles que ali vês”, respondeu o seu amo. “de longos braços, que alguns chegam a tê-los de quase duas léguas”.


D. Quixote, Cervantes

2.º andamento

O Labirinto permite ao acesso a um centro por uma espécie de viagem iniciática. (…) Conduz também ao interior de si próprio, de um santuário pessoal, escondido onde reside o segredo da pessoa humana, onde se encontra a unidade perdida do ser, que se dispersou na multitude dos desejos.

3.º andamento

Analisemos a questão:
- Andarei a combater moinhos de vento?

As variantes de posição encarregam-se da situação. Para reencontrar o tempo e o seu drama é necessário abandonar o patético e abordar a retórica: falar de um longo passeio ao fim da tarde, no campo, durante um week-end de Outono.

Cansei-me de Seduzir a palavra, de apalpar o Silêncio!

6 comentários:

Tchivinguiro: onde nasci. disse...

Andamentos valiosos estes de "Hoje é outro dia..."
Moinhos que podem ser muito úteis mas que enfeiam a paisagem. É vê-los por Portugal adiante.
Onde os arquitectos paisagistas a impedir estes "mamarrachos"?
Não será possível, as quem os construiu, esculpir moinhos mais bonitos, que desempenhem as mesmas funções destes?

JRL disse...

Gostei da sua frase: seduzir a palavra e apalpar o silêncio (muito poético!). Não temos todos os nosso moinhos de vento Alexandre? Um beijinho

Tchivinguiro: onde nasci. disse...

Respondendo à pergunta que fez no http://perolasdeouro.blogspot.com, a imagem postada é minha, sim.


Boa semana.

Ana Ramon disse...

Uma afirmação que não convence. Se fosse como dizes não conseguirias continuar a seduzir-nos enquanto apalpas os silêncios com a apresentação destes 3 andamentos.
:))))))))
Um beijinho grande

De Amor e de Terra disse...

Que beleza de expressões! tão extraordináriamente poéticas...

Nelas, o Alexandre seduz a palavra e na minha opinião,não apalpa, mas toca, delicadamente, a flor do silêncio.

Bj

Maria Mamede

ivone disse...

um conselho: não se canse nunca da sedução à palavra nem de tactear o silêncio. os moinhos de vento agradecem...e o seu santuário pessoal também.