sexta-feira, 28 de setembro de 2007

A casa e a árvore ou uma casa com uma árvore no meio…?


Confesso que inicialmente fiquei atónito, sem perceber muito bem o que estava a ver.
Ilusão de óptica?
Já às voltas com o problema especulei se teria sido um erro de arquitectura ou um amor extremado por uma árvore.
Conhecedor do termo – de casa e pucarinho (na maior intimidade) procurei encontrar, um outro, que se ajustasse a esta imagem.
Confesso que foi trabalho inglório….!
Vencido mas não convencido e consultando o livro - Arquitectura Tradicional Portuguesa, Ernesto Veiga de Oliveira e Fernando Galhano, lá encontrei o que procurava:

(…) a casa popular, e sobretudo a casa rural, é mesmo concebida não apenas como abrigo, mas sobretudo como um verdadeiro instrumento agrícola que é preciso adaptar às necessidades de exploração da terra, designadamente no que se refere ao seu dimensionamento e à importância e distribuição relativa dos alojamentos das pessoas, dos estábulos e das lojas de arrumação das alfaias e ferramentas da lavoura. Dentro desta orientação (…) define as habitações rurais não segundo os materiais de que são construídos, nem as suas formas exteriores, mas segundo o seu plano interior, sobretudo de acordo com as relações que nelas se verificam entre os homens, o gado e as coisas, ou seja: segundo a sua função agrícola, expressão do ambiente natural.


ps. para os mais incrédulos, aconselho um passeio até à Aldeia de França.

8 comentários:

Alexandra disse...

A casa e a árvore, sem dúvida!

Interessante a fotografia, igualmente o texto. Não é habitual vermos destas coisas, no entanto era o que deviamos ver mais vezes.

Para mim não foi estranha esta imagem.Habituei-me a ver muros e não só, interrompidos porque no seu caminho existe uma árvore. Hoje em dia não tanto porque a construção desenfreada tomou conta de tudo e de todos. No entanto, quando a Praia da Luz (LAgos, Algarve) começou a desenvolver-se com construções aqui e ali de moradias, normalmente de estrangeiros, era normal ver-se este tipo de atitude.

"(...)amor extremado por uma árvore." E porque não?! Podemos estar ligados não só a pessoas mas também ao que é "inanimado". Depois, se pensarmos bem, que direito temos nós de matar algo que tem anos e anos de vida, só porque está num lugar onde queremos à viva força, erguer algo para nosso bem estar? (o que não é própriamente o caso da fotografia)Porque não havemos de estudar forma de contornar a situação!?

Todos os olhares podem ver esta imagem. Mas nem todos os pensamentos se dariam ao trabalho de pensar desta forma sobre o assunto.

Beijinho, Alexandre e bom fim de semana.

Manuela Viola disse...

De regresso da minha estadia por mares do Algarve, deparo-me com esta maravilhosa foto!
Quando ouvimos tantas vezes a notícia da destruição de árvores, que bom é podermos pensar que há quem as preserve desta maneira. A perfeita sintonia!
Obrigada por nos mostrar.
Beijinho Alexandre.

vermella disse...

Interesante foto,a unión da terra coa propia morada é unha delicia,aquí na miña terra córtanse árbores constantemente,
asfáltanse camiños e dinamítanse montes para facer autopistas.
Intentarei vela casa cos meus propios ollos.
saúdos.

JRL disse...

Gostei muito deste post.

Lis disse...

Seria interessante ver o interior. Que frondoso arvoredo guarda um quarto?

Isabel Magalhães disse...

"Portugalidade" à parte, embrei-me de HUNDERTWASSER... (a quem dediquei vários posts no "à rédea solta")

Terceita Pele: A Casa do Homem.




Obrigada por ter aparecido. Nos meus 'favoritos' também tem um merecido lugar. :)

Isabel Magalhães disse...

"lembrei-me"... claro! :)

Um Momento disse...

Fantástico sem dúvida!
Adorei a forma como me elucidou e quem sabe um dia vá visitar tal raridade:)))

Beijo de boa noite

(*)