sexta-feira, 28 de setembro de 2007

A casa e a árvore ou uma casa com uma árvore no meio…?


Confesso que inicialmente fiquei atónito, sem perceber muito bem o que estava a ver.
Ilusão de óptica?
Já às voltas com o problema especulei se teria sido um erro de arquitectura ou um amor extremado por uma árvore.
Conhecedor do termo – de casa e pucarinho (na maior intimidade) procurei encontrar, um outro, que se ajustasse a esta imagem.
Confesso que foi trabalho inglório….!
Vencido mas não convencido e consultando o livro - Arquitectura Tradicional Portuguesa, Ernesto Veiga de Oliveira e Fernando Galhano, lá encontrei o que procurava:

(…) a casa popular, e sobretudo a casa rural, é mesmo concebida não apenas como abrigo, mas sobretudo como um verdadeiro instrumento agrícola que é preciso adaptar às necessidades de exploração da terra, designadamente no que se refere ao seu dimensionamento e à importância e distribuição relativa dos alojamentos das pessoas, dos estábulos e das lojas de arrumação das alfaias e ferramentas da lavoura. Dentro desta orientação (…) define as habitações rurais não segundo os materiais de que são construídos, nem as suas formas exteriores, mas segundo o seu plano interior, sobretudo de acordo com as relações que nelas se verificam entre os homens, o gado e as coisas, ou seja: segundo a sua função agrícola, expressão do ambiente natural.


ps. para os mais incrédulos, aconselho um passeio até à Aldeia de França.

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Sem título


Quando contemplamos qualquer coisa sob o ponto de vista estético desejamos que as forças opostas da realidade cheguem a um qualquer equilíbrio, que se faça um armistício entre o alto e o baixo. Contra este desejo de uma forma permanente, porém, rebela-se o processo moral da alma, com o seu incessante subir e baixar, com o constante prolongar dos seus limites, com a inesgotabilidade das forças contrárias que se movem no seu seio.
Jorge Simmel, Cultura femenina y outros ensayos


Da minha janela, a rede de artérias, vista do alto é uma malha intrincada de avenidas, ruas, ruelas, travessas, calejos, praças e jardins. Deve ser igual a muitas outras.

Mas os encantamentos são, muito breves, porque as pessoas tiram-lhes o encanto com ideias.


Os nomes das ruas da minha cidade são tristes:
Rua da Tristeza
Beco da Amargura
Avenida do Descontentamento
Caleja da Angústia
Escadinhas do Desgosto
Jardim da Melancolia
Travessa da Desolação

Também não consigo parar o pensamento. Por isso escrevo. Sobre o ver e o não ver, penso sempre.
Pensei guardá-los para sempre mas não consigo. Mas é por mim que escrevo.

À imagem de um mundo (o meu mundo), feito de informação, une-se a necessidade de convergir para um sentido, é manter-me no mundo sem perder a noção do meu ritmo orgânico essencial: é uma condição de sobrevivência.
A compreensão de um futuro próximo

Mas escrevo para lembrar a queda de um encantamento. Já não há uma estrela cadente com um nome, só há a estrela que tenho de seguir.

Começo a imaginar coisas e a criar estratégias de procedimento – tenho esboçado em desenhos tão finos, invólucros ilusórios: o nada!
Só!

À noite as ruas são negras: sob o candeeiro diviso o vulto que persigo.

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

e porque amanhã é outono...


Tarde pintada
Por não sei que pintor.
Nunca vi tanta cor
Tão colorida!
Se é de morte ou de vida,
Não é comigo.
Eu, simplesmente, digo
Que há tanta fantasia
Neste dia,
Que o mundo me parece
Vestido por ciganas adivinhas,
E que gosto de o ver, e me apetece
Ter folhas, como as vinhas.


Miguel Torga, Antologia Poética

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

The movie





1. Elas. Belas e apetecidas…!
2. Eles. Bramando…!!! Numa clara manifestação de virilidade.
3. Outros. A timidez? A desistência? Ou esperando por melhores dias..!!!

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Questões pertinentes em dois actos e um epílogo


1.º acto

A primeira coisa que é necessária para haver "evolução" é a insatisfação ou a constatação de que algo está mal ou poderia ser melhor.

Muita da minha escrita tem sido um colocar de peças do jogo de xadrez no tabuleiro, tendo do outro lado, como adversário, o mistério da vida.

Recuo diversas vezes nos meus raciocínios, procurando os erros e invariavelmente vou “jurando” (muitas manifestadas em forma escrita) que não volto a "errar".

2.º acto

Para mim normalmente as palavras acabam por ter uma importância relativa: valorizo muito um frente-a-frente, o gesto corporal, o facial, etc.!
Se as palavras valem por si mesmas, porque será que ultimamente tenho tanto prazer em ler o que escreve uma “anónima” identificada?!

epílogo

- Porque recebemos as mensagens certas das pessoas erradas?

conclusão
Maldita distância geográfica!

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

O meu comedouro para pássaros é um sério caso de sucesso…


Na tentativa de compreender o comportamento animal, as suas especificidades, somos frequentemente tentados a compara-lo com o comportamento humano, criando paralelismos, ou distinções, no intuito de o melhor apreendermos. Por vezes, fala-se de um punhado de emoções nucleares: medo, ira, tristeza e prazer; a que outros acrescentam: amor e vergonha.

Curiosamente já pude observar este poder das emoções…nos frequentadores do meu comedouro!

A que partilho, fascinou-me!

Estaremos perante a selecção natural, que leva inevitavelmente à sobrevivência do "mais apto", ou à exteriorização do lado mais "cru" (agressivo, ou mesmo violento) num sério caso de ataque de “raiva”…!

Ser ou não ser (gato(a)) eis a questão


Amiúdes vezes, expressando um prazer de satisfação alguns raiando a cobiça, ouço o comentário:

- que gato (a)….!!!

Confesso que tal apodo sempre me intrigou.
4 patas, muito pelo, longos bigodes… morfologicamente, anatomicamente, etc. , não encontro muitas semelhanças para com o ser “apreciado/invejado/desejado”….

Analiso o que sobre ele diz a Vox Populi:

Gato escaldado, de água fria tem medo.
De noite todos os gatos são pardos.
Gato escondido com rabo de fora.
A curiosidade matou o gato.
Quando está fora o gato folga o rato.
Gato miador, não é bom caçador.
Um olho no prato, outro no gato.
Quem não tem gato…caça com cão.
Impingir gato por lebre.
Dar-se como o cão e o gato
.

Sem conseguir encontrar uma explicação plausível, e cada vez mais intrigado, de dúvida em dúvida, procuro ir ao âmago da questão.


Socorro-me do seu significado:

s.m. Mamífero carnívoro, da Famílias dos Félidas, existente no estado selvagem, mesmo em Portugal, mas representado em quase todo o Globo por espécies e muitas raças domesticadas e úteis.

Ah...! Será que é aqui que está o busílis da questão…?!
ps.reli o que escrevi. é por estas e por outras.. que continuo solteiro e só...!

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

# 2


Bem sei que tenho andado mórbido….mas esta abordagem a uma estela funerária não é a continuação dessa morbidez mas uma abordagem plástica a uma existente no Museu do Abade de Baçal.

# 1


E eis que finalmente a minha série de recolha de “fachadas de casas rurais” vê a luz do dia.
“Viajei”, desenhei, “esculpi”, patinei….
E agora, como sempre, o que faço com elas?

Hoje é outro dia (ou uma introspecção em três andamentos)


1.º andamento

“Que Gigantes” disse Sancho Pança. “Aqueles que ali vês”, respondeu o seu amo. “de longos braços, que alguns chegam a tê-los de quase duas léguas”.


D. Quixote, Cervantes

2.º andamento

O Labirinto permite ao acesso a um centro por uma espécie de viagem iniciática. (…) Conduz também ao interior de si próprio, de um santuário pessoal, escondido onde reside o segredo da pessoa humana, onde se encontra a unidade perdida do ser, que se dispersou na multitude dos desejos.

3.º andamento

Analisemos a questão:
- Andarei a combater moinhos de vento?

As variantes de posição encarregam-se da situação. Para reencontrar o tempo e o seu drama é necessário abandonar o patético e abordar a retórica: falar de um longo passeio ao fim da tarde, no campo, durante um week-end de Outono.

Cansei-me de Seduzir a palavra, de apalpar o Silêncio!

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

O facto sem a vontade de o exprimir




Quanto mais profundamente mergulho em mim, mais profundamente compreendo a absoluta solidão do acto de criar.
Quando me entrego muito intensamente a esse acto de vida, essa grande paixão que me impulsiona a viver, após o esgotamento sensível provocado por um mundo de aço e “dinamite”. Penso se os outros sentiriam o mesmo
Queria pousar a cabeça no coração de alguém e adormecer sobre essa almofada palpipante.
Os encantamentos são, muito breves, porque as pessoas tiram-lhes o encanto com ideias.
O céu sobre mim é, portanto, a única coisa clara, transparente e compreensível.
Que estranha é a ideia de pensar que o meu tempo é solitário.

Mas eu, alheio sempre, sempre entrando
O mais íntimo ser da minha vida
Vou dentro em mim a sombra procurando


Fernando Pessoa

É esta a última e mais tremenda das tentações: querer partilhar os meus sentimentos.

Olho à volta, na floresta. Reparo num esquilo….!

E o meu coração continua cheio de ervas daninhas!