sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Flores voadoras ou Jóias verdadeiras?




Cada vez mais procuro o refúgio na solidão dos meus passeios muito matinais.
Ela, a natureza, dá-nos uma infinidade de sugestões.
Cores dos sonhos?
Primeira lição, versão ao vivo:
O reino animal, o mundo das plantas, a mineralogia, a composição a que se chama paisagem, tudo isto dá motivos para pensar e ser grato a cada instante.
Há, porém uma que está acima de todas estas realidades cromáticas – borboletas. Obra da natureza tão extraordinária e com tão invulgar jogos de cores, modelos de desenhos compostos por padrões altamente elaborados e fascinantes - flores voadoras ou jóias voadoras?

Ps. Confesso que sou suspeito – é lá que me sinto bem. Basta fechar os olhos, sentir… não há doutrinas nem heresias, apenas a forma criadora.

Ps2. tudo isto está muito bem e, contudo, falta-me qualquer “coisa”!


ps3. e como dizia o chico buarque: o que será que será...

terça-feira, 21 de agosto de 2007

Que resposta dar?


Pergunta

Rósea flor de pessegueiro
Delicada, como a alma
que nasce e cresce na calma
da terra fria do Norte
rósea flor, a tua sorte
quereria este arteiro
coração, que bem te quer...
róse flor, serás mulher
nesse ar tão doce e fagueiro?!...


Maria Mamede




Ps. O seu poema é tão belo que não resisti a partilhá-lo. Obrigado MM.

A passagem do tempo


Em busca permanente. Será verdade?

O ser humano disseca a coisa e revela o seu interior.

Os caminhos, muitas vezes, parecem novos, talvez sem, no fundo, o serem.
Isto corresponde à interiorização visível.

Afinal, tudo é passageiro, e o que ficou de tempos antigos, o que fica da vida é o espiritual.

E apesar disso!....Temos de nos sentir interiormente satisfeitos.

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Emoções feitas de imagens, letras, pontos e muitas cores!


Pardais

Sigo o vôo dos pardais
e perco-me no seu saltitar frenético
a dizer das larvas e dos mosquitos;
voam como caminham....
apanham migalhitas em vôo picado
e são felizes!
Depois, namoram nos ramos
freneticamente
e partem e regressam
e brincam ao "pilha" da minha infância
quando o dia está no fim
e numa chilreada tonta
ensurdecedora
despedem-se do sol;
e sempre que a manhã desponta
são os primeiros
a dizer-lhe bom dia!...



Maria Mamede
ps. obrigado Maria Mamede pela sensibilidade.

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

De olho nos pardais


Como isto das reencarnações tem muito que se lhe diga… resolvi construir e colocar num canto do terraço um comedouro para aves!
Assim, começo as minhas manhas espraiando o olhar na voluptuosidade de recortes da serra de Montesinho, com a mais valia, de ao longo do ano, as suas alterações cromáticas fazerem jus ao epíteto de - aguarela gigante. De beleza em beleza, os rituais, as cortesias, os bailados dos pardais em volta do comedouro, que salpicam de cor e movimento as minhas madrugadas, acabaram por me trazer uma outra forma de fascinação para com a natureza e o seu mundo tão perfeito:
Na Natureza, o Criador colocou plantas e animais num equilíbrio perfeito, e o homem, para que desfrute do todo.

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

# pressões, projectos, preguiças e Cª Ldª...!


Grandes pressões profissionais têm originado que invariavelmente procure o refúgio do sofá para “encontro” de fim de dia…. momentos de ócio!!??
Se por um lado, é o que me apetece fazer, por outro, sinto-me frustrado duas vezes:
Por sair esgotado demais do que o devia, sem vontade para mais…e por aceitar que assim seja, descurando todos os projectos pessoais (o sal da vida).
Claro que quando se “arrumam gavetas” e vêm ao de cima projectos, esquiços e esboços, aí a dor é maior !!!
Estou tramado…, e ainda por cima não jogo em jogos de sorte (ou azar) e como um mal nunca vem só, sou novo demais para a reforma!!!
Enquanto isso refugio-me em pensamentos:

Sísifo

Recomeça…
Se puderes,
Sem angústia e sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro,
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.

E, nunca saciado,
Vai colhendo
Ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar
E vendo,
Acordando,
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez te reconheças.

Miguel Torga, DIÁRIO XIII

As imagens e as coisas


abcdefghijklmnoprstuvxyz




[CMondim, de romance em romance (no ar…), talvez fosse este o alfabeto de um apaixonado?!

Este fim-de-semana lá terei que ir à procura da “imagem” que ilustre a cor da paixão…! Alguma sugestão?!]

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Um sonho perceptivo acordado.


O visível e as suas manifestações, por um lado, e o invisível e o pensamento, por outro.

Superar uma crise significa fazer uma travessia difícil?


A vida é um processo contínuo de adaptação a novas situações, imprevisto e imprevisíveis. Há períodos na nossa vida em que perdemos a segurança habitual. Sentimo-nos perdidos, desorientados. Perdemos a nossa identidade e temos de a reconquistar.
Para sobreviver temos de ser capazes de nos aventurarmos por caminhos desconhecidos. Somos obrigados a mudar, a projectar de novo o que fazemos e o que somos.
Por isso e para atingirmos isso, o momento mais verdadeiro é, paradoxalmente, a solidão

[Anda romance no ar…?]

E a mim quem me liga…..?!

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

O pensamento tornado visível


Uma cena nocturna sobre um céu diurno. O campanário da igreja leva-nos a pensar na noite, o céu no dia. Na minha opinião, esta simultaneidade de dia e de noite tem o poder de surpreender e encantar.
Poder-se-á chamar a isso poesia?



[carta]

Vendo-te recordei que guardo intacto o coração dado a mais paixões. A minha mania de criar o mundo em falso acompanha-me ainda. E se alguém disser que isso é falso e absurdo não vou acreditar. Confesso, sou sujeito a paixões visuais.

E eu porque vos conto isto?

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Percebe, está a perceber?


A inacção consola de tudo. Não agir dá-nos tudo. Imaginar é tudo, desde que não tenda para agir. Ninguém pode ser rei do mundo senão em sonho. E em cada um de nós, se deveras se conhece, quer ser rei do mundo.
Não ser, pensando, é o trono. Não querer, desejando, é a coroa. Temos o que abdicamos, porque o conservamos, sonhando, intacto eternamente à luz do sol que não há, ou da lua que não pode haver.

Livro do Desassossego
Vol. I. Fernando Pessoa.


São horas talvez de eu fazer o único esforço de eu olhar para a minha vida. Vejo-me no meio de um deserto imenso. Digo do que ontem literalmente fui, procuro explicar a mim próprio como aqui cheguei.

Contra a parede, para falar do tempo…!


Muitas vezes, não existe uma diferença óbvia entre realidade e ilusão. O invisível acaba por ser frequentemente mais real do que o visível.
Recorremos ao mundo visual e à concepção para questionar a nossa presença neste mundo de linguagens perceptíveis.
O aumento da percepção e o aprofundamento das emoções são as minhas maiores preocupações. Confrontam-se assim uma série de realidades diametralmente opostas: prazer e dor?
…monocórdica e ladainha e que entediante monólogo. Como sempre!!!