quinta-feira, 17 de maio de 2007

Pedra de toque


A uma razão - o impulso foi-me dado por um comentário – o outro olhar.

Há demasiados pensamentos no meu cérebro.
Pensei guardá-los para sempre mas não consigo.
Também não consigo parar o pensamento.
Por isso escrevo.

Nós que fazemos de experimentar uma profissão,
herdamos uma velha tradição: alguns de nós foram os maiores artistas,
mas nunca fizemos das musas nossas amantes. (…)
Eu não fico, pois, extasiado diante da arte
fico em êxtase diante da função humana o que subentende tudo o que fazemos com as nossas mãos,
Os nossos sentidos, etc.
O nosso trabalho, uma vez terminando,
não tem para mim tanta importância como para a maioria dos estetas:
É o acto que me interessa, não o resultado,
e apenas sou apanhado pelo resultado quando ele emana o odor do suor humano,
ou um pensamento.

Orson Wells

Desenho de uma maneira sistemática e quase obsessiva no meu quotidiano.
O que procuro é dar forma, ao tempo, ao vazio.

Uma só coisa interessa, nesta
constante identidade de tudo.
E essa coisa é o Acto: o Acto que
apenas se interessa pela sua
própria realização.


Abel Salazar

Por essas e por outras, sim, gosto de desenhar, gosto da minha caixa de lápis, da minha caixa de aguarelas, de me evadir e só, contemplar, para depois mergulhar da experiência das coisas.


A busca de universos pessoais.


Tudo isto constitui apenas o segundo passo que o sonhador deve dar ao seu sonho

Há vários caminhos para esta atitude. Gravar, riscar, esculpir, mas em última análise, escrever – por ser a única maneira de eternizar a expressão.

Tú eres lo único que tengo
desde que perdi mi tristeza!


Pablo Neruda

No ar, elevando-se, as espirais de fumo do cigarro, numa leve embriaguez, unem-se na voz da emma shapplin. Música ou sonho?


A Verdade? Descontentamento da alma!

Posfácio. Para Manuela Viola.

2 comentários:

Manuela Viola disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Manuela Viola disse...

Há dias dei comigo a pensar porque e para quem escrevemos nestes blogues.Porque e para quem pintamos, fotografamos, esculpimos, desenhamos.
Pensei na solidão que sempre nos acompanha nestes actos e concluí que só mesmo o nosso eu muito íntimo pode usufruir dessa solidão, desse prazer, dessa "felicidade".
Obrigada pelas bonitas palavras.
Afinal sempre escrevemos para alguém.