quinta-feira, 8 de março de 2007

Via - Sacra


Para falar do tempo - quando a palavra é um som interior.

Cruzamento para todos os conflitos ou espaço de todas as metamorfoses ou é o vazio entre os acontecimentos pelo ténue limite que a faz tombar, que me levam a esta necessidade interior da escrita?

Apossou-se de mim um estado de espírito muito melancólico e não consigo concentrar em nada senão na “eterna” questão não resolvida.
O eu quer-se reencontrar com carácter de urgência.

Tempo de mudança?
O aumento da percepção e o aprofundamento das emoções são as minhas maiores preocupações.
O impulso inicial é de vontade de mudança, de idealismo uma nova fase, novas direcções…mas também com idealismo excessivo.

Porém, algures entre a trivialidade e a factualidade, um quotidiano condena à infinita repetição das mesmas coisas, sem prazer, sem novidade e sem entusiasmo.

A cor, a celebração da vida, a obra quer-se reencontrada com carácter de urgência, pois é na tempestade que se conhece o marinheiro.
E a alma, essa vagueia algures, desencontrada do seu!


Mas que tem isto a ver com água?

Gosto de “sentir” o aroma da terra molhada. E hoje a chuva é cerrada.
A chuva escorrendo no vidro transforma a realidade, fazendo com a paisagem “escorra” como tinta líquida.
Muitas vezes, não existe uma diferença óbvia entre a realidade e a ilusão.

Mais uns dias e, 48 anos….!

Fim de intervalo


Tudo nos diz adeus, tudo nos deixa,
A memória não cunha moeda,
E contudo há algo que se queda
E contudo há algo que se queixa

Jorge Luís Borges

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